Literatura: Na tarde das rosas vermelhas

Literatura

Por João Neto Félix Mendes

Cheguei cedo para a visita! Fui ao abrigo dos velhos "Casa dos Velhinhos" para visitar D. Maria, mãe de uma amiga. Não foi a primeira vez. Há anos, fui voluntário no abrigo São Vicente de Paulo em Santana do Ipanema. Nós fazíamos de tudo que fosse necessário e estivesse ao alcance. A minha afinidade com a velhice é antiga. Talvez seja o moço velho que há em cada um de nós.

Naquele grande casarão tem uma grande varanda interna. Na área central há um grande e bem cuidado jardim, onde reinam exuberantes, grandes roseiras vermelhas. Logo encontrei dona Maria sentada numa cadeira de rodas no corredor, junto às colegas do abrigo. Ela ficou surpresa com a minha visita! Estava também dona Alice, uma velhinha simpática, daquelas que todo mundo gosta. Sua alegria e inocência são contagiantes! A convidamos para ficar conosco.

De repente, tive a ideia de dar uma volta no abrigo, em companhia de dona Maria, empurrando sua cadeira de rodas, percorrendo a grande varanda para conhecer melhor o ambiente. Percebi os detalhes das lindas roseiras vermelhas e todo seu esplendor. O Jardim é muito bem cuidado! Fiquei encantado com a quantidade de rosas vermelhas! Fazia tempo que não via um jardim tão repleto de rosas.

Dona Maria mora no abrigo, porém não percebe a beleza das rosas! Chamo sua atenção. Simplesmente olha para as rosas e pra mim, rir discretamente, disfarça e redireciona seu olhar perdido... Consciente, diz que não gosta dali. Gostaria de ir pra sua casa.

Aos poucos fui percebendo que Alice é o xodó do casarão. Todos a cumprimentam e a abraçam aos beijos. Ela recebe a todos com muito carinho e alegria. Está ali há mais de 30 anos, confessou. Não tem ninguém no mundo, além do carinho e afago dos funcionários e visitantes.

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