Lá pelo final da década de 1960, por aí, Rangel apareceu em Santana do Ipanema, dizendo-se procedente do Recife, onde possuía família com sobrenome importante. Era viajante do ramo de tecidos que fazia a praça do sertão alagoano e escolhera a cidade como sede dos seus negócios. Na verdade, caixeiro-viajante de marca de passado distante, envolvente, tipo certamente em extinção.
Como hóspede do hotel de D. Beatriz, o viajante largava-se pelo sertão, mas retornava à cidade onde passava a semana inteira tomando cachaça, acompanhado de amigos.
Nunca tinha visto sujeito mais espirituoso que Rangel. Cheio de piadas de estalo e possuidor de inesgotável repertório de anedotas engraçadas.
Como todo cachaceiro, logo fez amigos na cidade. Uma roda impressionante de amigos. Mais por suas máximas, que propriamente pelo vício de aguardente.
Comunicativo, tinha muita facilidade de fazer amizade à primeira vista. Anotava na memória, de imediato, o nome do apresentado. E nunca mais esquecia o seu nome.
Apresentava-se da seguinte maneira, sublinhando a frase e arrastando as palavras, com voz de barítono:
– Sou Rogoberto Rangel do Rego Filho! O homem que vive entre as estrelas e a humanidade diz que é poeta! Mas, na verdade, o que ele sente é amoo....o....o.....r!
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Colunistas: O HOMEM ENTRE AS ESTRELAS
LiteraturaPor Djalma de Melo Carvalho 11/08/2020 - 00h 11min Acerco Darras Noya/João Neto Félix Mendes
Praça Senador Enéas Araújo, Centro de Santana do Ipanema 1966
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