O torturador que diz não temer a verdade (Final)

Literatura

Por Fernando Soares Campos

á se havia passado uns cinco dias desde o meu segundo telefonema à viúva do suboficial Damasceno. Eu já sabia que não dava mais para contar com ela.

Podemos até planejar e realizar algum acontecimento que dependa mais da iniciativa de outrem que da nossa vontade; porém, nessas condições, quase sempre nos sentimos inseguros, pois não temos a certeza da realização de nossos projetos. Entretanto, em algumas ocasiões, a sucessão e o encadeamento dos fatos nos surpreendem com acontecimentos inesperados, aquilo que foge às marcas rotineiras e geralmente nos obriga a tomar decisões específicas, exigindo soluções para determinados problemas, com o emprego do nosso poder de criatividade. Essas são as melhores oportunidades para a nossa evolução pessoal, através do exercício e consequente desenvolvimento das habilidades de nossas funções mentais.

Estava eu absorto, viajando por essas veredas filosóficas, quando o telefone chamou. Atendi.

― Eu gostaria de falar com seu Fernando Soares.

― Pois não, está falando com ele.

― Seu Fernando, aqui é o Marcos Damasceno... ― alguns segundos de silêncio; pigarreou. ― Esse nome lhe diz alguma coisa?

― Marcos?

― Sim, Damasceno...

Estava claro que se tratava de alguém da família do suboficial Paulo Damasceno, mas preferi fingir que não associei o sobrenome ao do militar que conheci no Submarino Bahia. Melhor que pensasse que eu não estava intensamente atento e concentrado neles ou em pessoas dos seus círculos de amizade.

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