Por que será que boa parte da esquerda não tem um intelectual ou um artista capaz ainda de fazer com que uma massa seja realmente mobilizada, que consiga adeptos como tem conseguido, por exemplo, um demagogo e caricato como Olavo de Carvalho? Por que não consegue, por exemplo, em lives ou vídeos em mídias ter a visualização compulsiva desses caras ideólogos e a legitimidade necessária para vingar como uma oposição não mais desacreditada? Por que sequer se mantém unida e aberta ao diálogo? Os motivos e fatores são vários e eu já lhes expliquei outrora.
A crítica da esquerda ao conservadorismo não é só paupérrima, mas artificiosa e negligente. Não consegue compreender a raiz do irracionalismo. O discurso soa repetitivo e morno. Outro ponto: parte da esquerda é mesmo vingativa e rancorosa. Não admite dissidentes ou pessoas que venham a se arrepender de algo. Ela tem à mão um jeito de escancarar os seus próprios ódios. O caso do youtuber reflete isso. O caso de artistas que votaram e se arrepederam reflete isso, de algum modo. E mais: parte da esquerda se sente detentora de conhecimento. Que conhecimento? Aquele que evita a crítica a seus autores de predileção, sem abertura, a não-leitura de autores liberais e conservadores? O bolsonarismo, como evidenciei, tem vínculo direto com essas questões também. Enquanto essa esquerda quiser monopolizar saberes, práticas e ações, enquanto sonhar com homogeneizações e totalitarismos ideológicos, poderá estar fadada a virar piada política ou partir para, como aprendeu com ela a extrema direita, fazer as suas novas revoluções cruéis, ainda que por via democrática.
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Colunistas: "A esquerda imprudente e um adendo"
LiteraturaPor Redação com Adriano Nunes 21/05/2020 - 17h 07min Arquivo Pessoal
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