Aquela que recebe, afetivamente, o diminutivo de mãe e que leva, como testemunha, a criança à pia batismal é chamada, carinhosamente, de madrinha. Madrinha de batismo deve ser a criatura de estreita amizade e de muita consideração dos pais da criança. Uma deferência especial à pessoa escolhida.
Portanto, do latim “matrina”, diminutivo de mater (mãe), segundo mestre Aurélio.
Caberia, a meu ver, à criança, já fazendo uso da razão, a escolha da sua madrinha de batismo, em atendimento à pureza do desejo infantil. A condição subjetiva de cristão ou de pagão da criança não alteraria o ser biológico. Cresceria a criança com a nítida lembrança do ato religioso e da querida madrinha que a conduzira à pia batismal. Não sendo assim, a criança cresceria sem nenhuma recordação da sua idade no dia do batismo, nem a da própria madrinha, tampouco de nenhum traço fisionômico dela. Se menina, jovem e bonita. Restar-lhe-iam, com certeza, fotos amareladas, desbotadas, em velho porta-retratos, as quais, as mais das vezes, ficam esquecidas num canto de página de álbum guardado no fundo de baú.
O tempo irremediavelmente vai passando, passando, e levando a gente para lugares diferentes, venturosos, às vezes até nunca sonhados. Arroubos da juventude, escola, vida adulta, emprego, novos caminhos. O vínculo com a família e com a madrinha, naturalmente, vai ficando cada dia mais distante, sem esquecê-las. Surgem, afinal, os desafios da marcha do tempo.
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Colunistas: A BÊNÇÃO DE MADRINHA
LiteraturaPor Redação com Djalma de Melo Carvalho 20/05/2020 - 12h 22min Arquivo Pessoal
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