Quando boa parte da sociedade fica inerte às medidas, práticas, ações e aos discursos que, de algum modo, são contrários não só ao processo civilizatório, mas atingem o cerne da dignidade humana bem como atacam direitos e garantias fundamentais, a outra parte, ainda que consiga perceber tais atentados sociais e humanos, parece contaminar-se pela irracionalidade, pela incapacidade de reação crítica, como se toda a sociedade aceitasse tudo o que parece lhe fazer mal, como se fosse uma manada em marcha, sob bitolas, em direção ao matadouro, em êxtase.
Neste sentido, as pessoas aceitam que direitos sejam restringidos ou retirados, aceitam o presente espúrio como se fosse o porvir redentor certo, como se todas elas fossem creditadas e certificadas "as escolhidas". Compactuam com a opressão como se fosse uma necessidade vital. Nestes estados de irracionalidades, percebe-se que paradoxos complexos e antinomia cruéis alicerçadas em contradições a priori passam a coexistir, tais como professores(as) que defendem o sucateamento da educação, que aceitam e legitimam ser vigiados (as) por estudantes, como negros que passam a ser contra políticas de cotas e a negar até a escravidão, como LGBT apoiando políticos LGBTfóbicos, como mulheres atacando o feminismo e defendendo políticos misóginos, como cristãos defendendo a política armamentista e mesmo a pena de morte, como artistas clamando por ataques à cultura e à arte, enfim, toda uma série de absurdos éticos e morais que parecem dizer, de alguma maneira, que a civilização está flertando com a barbárie e o obscurantismo.
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Colunistas: O estupor ideológico e o kriptofascismo - por Adriano Nunes
LiteraturaPor Redação com Adriano Nunes 13/07/2019 - 15h 30min Arquivo Pessoal
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