O dinamismo do inconsciente não é somente, como pensava Freud, um depósito de desejos reprimidos, mas como opinava Jung: um sujeito real e pensante, componente essencial da vida individual, muito mais rico e amplo que o sujeito consciente. Gustar Schumaltz proclama a existência, no inconsciente, de uma energia dominante, autônoma, com caráter transpessoal. Lá, na substância do ser humano, há um sujeito que pensa ou medita, que atua em nós como um eu. É como um Espírito Criador (Creator Spiritus) que discerne, liga, coordena, resolve problemas e planeja.
Trata-se de um modo de planejar a verdade, como se fosse a obra de um ser superior. Sócrates afirmava ter um gênio superior que o inspirava. Gandhi obedecia a uma voz interior. Paulo VI, em 1972, declarava: "... Cada ser humano tem, dentro de si, uma fonte própria, intuitiva, normativa, e aqui, diz ele, surge a pergunta: esta voz interior seria contrária, distinta ou coincidente com a da inspiração sobrenatural do Divino Paráclito? Aqui, afirma Paulo VI, a Teologia do Espírito Santo entra em contato com a Psicologia do Homem. A profundidade do ser humano é o espaço onde o Deus Transcendente se faz imanente. No final de contas, Deus é Emanuel -- Deus dentro de nós".
O Concílio Vaticano II apela para a "profunda interioridade" da atração divina num trabalho de "direta imperceptível" maravilhoso intercâmbio da natureza humana com a ação divina, gerando uma intuição que explode na consciência humana, criada à imagem e semelhança de Deus.
Não se trata de alguma ação rara, senão de todos os dias, de cada momento, principalmente, quando fazemos silêncio oracional, convictos de nossa pequenez.
Se assim é, se assim tem sido.
Sem o Paráclito, o cosmo seria um caos; sem o Paráclito, Deus seria um ser distante, mero arquiteto de um universo sem sentido; com o Paráclito, Deus é Emanuel, dentro de nós.
Sem o Paráclito, continuaria Cristo sendo um ser histórico do passado; sem o Paráclito, seria o Evangelho letra morta, ao capricho de cada leitor; sem o Paráclito seria a Igreja uma simples organização humana; sem o Paráclito, seria a autoridade dominação e livre arbítrio; com o Paráclito, é a Igreja sinal de dilatação do Reino de Deus e a autoridade é serviço em favor do bem comum. Sem o Paráclito, a missão seria propaganda e proselitismo, a conduta humana uma moral de escravos e o neoliberalismo, um egoísmo pagão. Sem o Paráclito, seríamos nós uns abandonados sem advogados, sem valedor; com Ele, temos força nas coisas adversas; com o Paráclito, abre-se para nós a esperança para a vida eterna, em comunhão e amor, com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Com o Espírito Santo já começa para nós, nesta terra, o que jamais se findará na outra vida.
DOM FERNANDO IÓRIO RODRIGUES
(*) Artigo enviado pelo Pe. Adalto Alves Vieira
O Pentecostes e a Revolução do Inconsciente
ReligiãoDom Fernando Iorio (In memoriam) - Pe. Adalto (*) 09/06/2019 - 08h 10min https://cleofas.com.br
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