Tiradentes e a defesa da República

Cultura

por Inácio Loiola Damasceno Freitas

Tiradentes nasceu em Minas Gerais em 1746, era filho de um proprietário rural português Domingos da Silva Santos e da portuguesa nascida na colônia do Brasil, Maria Paula da Encarnação Xavier.

Em 1755, após a morte de sua mãe, segue junto a seu pai e irmãos para a sede da Vila de São Antônio; dois anos depois, já com onze anos, morre seu pai. Com a morte prematura dos pais, logo sua família perde as propriedades por dívidas. Não fez estudos regulares e ficou sob a tutela de seu tio e padrinho Sebastião Ferreira Leitão, que era cirurgião dentista. Trabalhou como mascate e minerador, tornou-se sócio de uma botica de assistência à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, e se dedicou também às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe valeu o apelido (alcunha) de Tiradentes.

Junto com vários integrantes da aristocracia mineira, entre eles: poetas, advogados, começa a fazer parte do movimento dos inconfidentes mineiros, cujo objetivo principal era conquistar a Independência do Brasil. Tiradentes era um excelente comunicador e orador. Sua capacidade de organização e liderança fez com que fosse o escolhido para liderar a Inconfidência Mineira.

Em 1789, após ser delatado por Joaquim Silvério dos Reis, o movimento foi descoberto e interrompido pelas tropas oficiais. Os inconfidentes foram julgados em 1792. Alguns filhos da aristocracia ganharam penas mais brandas como, por exemplo, o açoite em praça pública ou o degredo. Tiradentes, com poucas influências econômicas e políticas, foi condenado à forca. Foi executado em 21 de abril de 1792. Partes do seu corpo foram expostas em postes na estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais. Sua casa foi queimada e seus bens confiscados.

Tiradentes, logo após a independência do Brasil em 1822, torna-se um personagem histórico relativamente obscuro. Sendo mais ainda, do fato que o Brasil continuou sendo monarquia durante os governos de D. Pedro I e D. Pedro II, os quais pertenciam à família Bragança, respectivamente, neto e bisneto de D. Maria I, contra a qual Tiradentes conspirou. Com isso recebeu a sentença de morte junto com outras penas atribuídas aos demais inconfidentes.

Os responsáveis pela personificação de Tiradentes, com certeza foram os republicanos, particularmente os ?positivistas?. Apesar de que na prisão, onde Tiradentes passou os três últimos anos de sua vida, prisioneiros eram obrigados a raspar o cabelo e barba para evitar a proliferação de piolhos, o alferes ganha cabelos longos, barba, bigode e camisolão, assemelhando-se a partir daí a figura de Jesus Cristo, acompanhado de um martírio parecido com a ?via crucis?.

Apesar da roupagem criada pela Velha república, Tiradentes pode ser considerado um herói nacional. Lutou pela independência do Brasil, num período em que nosso país sofria o domínio e a exploração de Portugal. O Brasil não tinha uma constituição, direitos de desenvolver indústrias em seu território e o povo sofria com os altos impostos cobrados pela metrópole. Nas regiões mineradoras, o quinto (imposto pago sobre o ouro) e a derrama causavam revolta na população.

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