Por que Deus permite
Que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite
É tempo sem hora
Luz que não apaga
Quando sopra o vento
E chuva desaba
Veludo escondido
Na pele enrugada
Água pura, ar puro
Puro pensamento
Morrer acontece
Com o que é breve e passa
Sem deixar vestígio
Mãe, na sua graça
É eternidade
Por que Deus se lembra
Mistério profundo
De tirá-la um dia?
Fosse eu rei do mundo
Baixava uma lei
Mãe não morre nunca
Mãe ficará sempre
Junto de seu filho
E ele, velho embora
Será pequenino
Feito grão de milho
Esse poema integra o livro Lição de Coisas, lançado em 1962 por Carlos Drummond de Andrade
Para Sempre
PoemasCarlos Drumond de Andrade 11/05/2026 - 00h 30min
Carlos Drumond de Andrade (Foto: reprodução www.escritoradesucesso.com.br)
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