A SAGA DO RIACHO CAMOXINGA

Crônicas

Remi Basrtos Silva

Riacho Camoxinga (Foto: Remi Bastos)

Lembro-me do Riacho Camoxinga nos meus tempos de menino. Ali, em frente ao Colégio Mileno Ferreira, mais ou menos nas imediações da casa onde residiu o cidadão e Vereador Frederico Rocha, eu costumava tomar banho e pescar.

O preto Filemon, era um especialista na pesca de traíra, mandi (também conhecido como bagre-amarelo) e camarão, utilizando como instrumento o puçá. Naquela época o Riacho Camoxinga, principalmente, nos trechos onde a profundidade variava de 1 a 2m, era comum em suas margens a presença de vegetação, a exemplo de poaceas, anteriormente denominadas de gramíneas, notadamente, o Capim de Planta
.
Nos períodos chuvosos o Camoxinga é alimentado pelo Riacho Gravatá, seu principal afluente, embelezando suas margens com a vegetação espontânea semeada pela natureza.

Como era gostoso e divertido os banhos no Riacho Camoxinga! Suas águas cristalinas permitiam o banhista ver os peixinhos em cardumes num cenário poético. Todavia, o outro lado da moeda caracteriza a tristeza do pobre riachinho, sobretudo, nas encostas da antiga casa onde residiu o Padre Bulhões.

Seu leito adormecido e quase seco denunciam o afloramento de pequenas rochas em seu caminho, arrodeadas por dejetos jogados pelos ignorantes e desavisados.

Do alto da Ponte do Padre, registro a consternação que envolve os seus dias, ao tempo em que recordo a correnteza das suas águas entregando-se ao Rio Ipanema como num abraço de pai e filho.

Riacho Camoxinga, a sua história é linda, assim como belo foram os dias da minha adolescência me banhando em suas águas, contemplando a beleza das flores que brotavam as suas margens.

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