FALANDO EM SANTANA

Crônicas

Lúcia Nobre

O poeta sempre volta às origens. Com Maria do Socorro Ricardo não é diferente. “Ando me lembrando de Santana”. Lembra do pai, da mãe, dos irmãos, da casa, da infância. As ruas do passado são sempre “riscadas de histórias e memórias”. A poetisa fala do carinho dos conterrâneos que permaneceram em seu local como se fosse “uma vegetação loquaz”. O poeta volta a sua terra, ao passado, nem que seja por meio da arte. Mesmo através de paisagens, pinturas estampadas nas lembranças e memórias, o poeta revive um mundo que foi seu e impregnou-se em sua alma poética. Assim, o poeta nunca está só. Ele sabe que a poesia tem o poder de levá-lo por caminhos auspiciosos. Ainda que esteja em terras longínquas, ouve o sino da matriz de Nossa Senhora Santana e lembra-se da festa de julho. Festa da padroeira que lota a praça de santanenses e visitantes que estão ali para comemorar mais um ano de festa.

Goretti Brandão em uma de suas crônicas viaja na arte primitiva, moderna de Santana do Ipanema. A observadora enfatiza o trabalho de dois artistas sertanejos. Um, revela sua constante apreensão do cotidiano. O outro retrata cenas do cotidiano que marcam o simbolismo da imagem que se tem do semi-árido.
Avelar Alécio sente saudades de sua Santana Antiga, ao ver a excelente coletânea de fotos dessa época, publicada na galeria de fotos do Portal Maltanet. Algumas, já conhecidas dos velhos tempos.

Santana está em festa, relembrando o dia da sua emancipação política ocorrida há 134 anos, conforme a Resolução Provincial n. 681 de 24 de abril de 1875, razão suficiente para agradecer a deus por existir, por ter sobrevivido até hoje, por respirar esse ar sertanejo, que já não é tão puro quando foi há 134 anos. Ainda assim, sinto-me no dever de e também feliz em viver mais um dia tão importante para essa terra cálida, até seca mesmo, em tantos dias de cada ano, mas também acolhedora e produtiva, quando lhe dão o tratamento justo e merecido. Parabéns Santana do Ipanema! Feliz aniversário. (Manoel Augusto, 2009).

Vem à lembrança hoje, quinta-feira Santa, a imagem do Cônego Luís Cirilo Silva, pároco na minha terra entre 1951 e 1982. Originário da serra da mandioca, município de Palmeira dos Índios, Luís Cirilo assumiu a Paróquia de Senhora Santa Ana, após o falecimento do Cônego penedense José Bulhões. (Clerisvaldo B. Chagas).

Mês de junho mês dos Joãos/das fogueiras e bandeirolas/ tem foguetes e busca-pé/ em Santana ô Terra boa/ com uma ruma de joãos dessa/ vai ter um grande arrasta-pé (José Antonio Soares Campos).

Para Remi, o mês de julho chega como o natal, irradiando paz e felicidade nos corações dos santanenses. Mais uma vez o poeta lembra a infância, das brincadeiras sadias, “dos doces que a vovó fazia”. Em sua saudade de Santana, deseja respirar o ar puro de sua cidade “e abraçar os amigos que aqui deixei”. O poeta promete que no mês de julho, dará o ar da graça em sua terra querida. Esperando o mês de Senhora Santana, irá “adormecer ouvindo o canto do Ipanema, escrever versos...”. Destino do poeta.

Antônio Machado não é diferente. Ali, sua terra brota água cristalina na sutileza de pétalas em sonho. Tão fértil, dando cores e formas as belas flores. Olho D’água das Flores nasceu das águas da cacimba Santo Antônio. Santana do Ipanema e Olho D’água das Flores, irmãs inseparáveis.

Os sonhos dos santanenses e os de Francisco de Assis Farias. A água chegou em Santana do Ipanema, a terra que vivia a reclamar, que vivia a esperar, todos estão bebendo para a sede matar. O jumentinho se aposentou de tanto trabalhar, de água carregar.

Velho monumento inspirou o poeta José Monteiro que quer voltar ao passado em Santana do Ipanema para reviver toda cena no sertão que foi criado e se deitar nas calçadas do seu velho monumento e ficar olhando o tempo nas noites enluaradas.

O Ginásio Santana foi minha primeira fonte do saber. (Estudar e trabalhar para ser gente, como dizia minha avó Bilia) (...) (Djalma Carvalho).

Na Feira livre de Santana Fábio Campos confirma a tradição: uma feira rica em novidades. “A feira livre de Santana do mato chega o matuto, vem da rua o cidadão, uns adquirir produtos, outros vender produção.
Santa Ana de todos os netos, Santa Ana da nossa cidade, Santa Ana dos sertanejos, Protetora de bondade. Louva (Marcello Fausto).
É assim que João Francisco Chagas Neto lembra-se da Barragem de Santana. Era assim que a chamávamos. E como amávamos!!! Aquela porção d’água. Não havia mágoa, era só alegria.

Nasci, cresci e vivi com as águas salobras do Panema. Entre serras, as do Gurgi, Camonga, Araçá e outras serras. Elas inventam paisagens, emolduram e embelezam a cidade mágica de tão real Santana do Ipanema. (Lúcia Nobre)

José Ormindo bebeu as águas salobras do rio Ipanema, observou suas pedras lisas que o derrubou, mas, aprendeu a levantar-se e sair pro mundo.

Maria Aparecida da Silva dos santos valoriza sua terra de beleza e esplendor, seu rio, suas praças e serras, com muita alegria e amor.
José Marques de Vasconcelos tem saudades do forró do sertão. Mesmo não estando em idade das saudades, recorda os fins de semanas com show em sua cidade, Santana do Ipanema/AL.
Nossa passagem pela vida é tão instantânea e rápida, sendo assim devemos cumprir de forma brilhante nossa missão, para que um dia possamos nos orgulhar de nossa própria história (Sibele Arroxellas).

Quando falamos em leitura, literatura, não esquecemos nossos escritores alagoanos. E por que não dizer que pesquisas feitas e comprovadas, reafirmam que os melhores poetas nasceram no interior das cidades. O preâmbulo é também, para citar Graciliano Ramos, natural de Quebrangulo/AL. Precisamente para falar de sua cachorra Baleia, que foi tema de uma crônica de José Malta Fontes Neto. “Fabiano e Baleia”. Foi durante a Terceira Bienal Nacional do Livro de Alagoas, realizada no Centro de Convenções de Maceió, 19 a 28 de outubro de 2007. Malta não imaginou que a exposição de uma obra santanense, causasse tanto sucesso em uma Bienal. “Pudemos comprovar algo inusitado. Colocamos em exposição uma obra de arte feita a partir de sucata pelo escultor Manoel Belarmino. Essa obra retrata o sertanejo pensativo, fumando seu cachimbo, com sua enxada, instrumento de trabalho e do seu lado descansando seu fiel amigo “Baleia”, nome do cão atribuído pela maioria dos visitantes, associando a escultura aos personagens de Vidas Secas do escritor Graciliano Ramos”. Enfatiza o cronista, que os visitantes, crianças e adultos, ao se aproximarem do estande, perplexos e admirados, saudavam Baleia e Fabiano. Eu, uma dessas visitantes, antes de cumprimentar Malta e seus filhos, que simpaticamente sorriam, saudei Baleia e Fabiano.

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