VOLTEI À ACALA

Antonio Machado


Escrevo com ênfase a história, a rainha das ciências. É através dela que as outras se conectam, resgatando e registrando o passado para a posteridade. O Marquês de Maricá escreveu: “A história é a biografia da humanidade”.
No livro editado pela Acala, em 2009, intitulado ACALA História e Vida, no qual modestamente escrevi o prefácio, encontram-se relatos inquestionáveis de todos os confrades e confreiras que integram aquele sodalício iluminado das letras, onde cada um conta sua vida literária com uma performance perfeita e elegante, mostrando a todos que tiverem acesso a esta obra atemporal.
São escritos sem filtros, mas com esmero e dedicação, como quem nasceu para as letras.
Estive afastado por um tempo por motivo de doença. Hoje, recuperando-me, volto orgulhosamente à Acala, sendo recebido com alegria por meus confrades, tendo como presidenta a Dra. Carla Emanuele de Messias de Farias Costa, que me recebeu com regozijo e alegria. Naquela noite festiva, novos membros tomaram posse como neoescritores. A sala estava cheia, todos satisfeitos com essa nova conquista, com mais de trinta pessoas presentes.
As sementes, quando bem plantadas e regadas cuidadosamente, nascem e dão bons frutos. Às vezes, quando lhes faltam os cuidados necessários, podem até fenescer, mas podem voltar e produzir frutos.
Olhando pelo retrovisor do passado, sob uma chuvinha fina que provocava um frio aconchegante na cidade de Arapiraca, estávamos na Biblioteca Pública Municipal Professor Pedro da França Reys, situada na Avenida Rio Branco. Abro aqui uma exceção para registrar um fato imortal, pois foi aquele intelectual que escreveu, com letra viva e primorosa, o hino oficial de Olho d’Água das Flores. Em concurso, coube-lhe a maior nota, constituindo-se, por decreto do prefeito Humberto dos Anjos, o hino oficial do município, que, quando cantado nas solenidades cívicas, até hoje causa grande alegria. Passo a incorporá-lo como patrimônio magistral do município, enquanto a música coube ao maestro Passinha, grande músico alagoano.
Voltando ao tema central da história, reunidos os cidadãos — este escrevedor, o escritor Zezito Guedes, o professor Carlindo de Lira, o professor Oliveiros Nunes Barbosa, o poeta João Gomes de Oliveira, o poeta Rosendo Correia de Macedo e o Major Darci de Souza Melo —, alguns já de saudosa memória, mas que deixaram obras monumentais. Coube ao professor Oliveiros Nunes ser o primeiro presidente da Acala, e ao Major Darci a vice-presidência. Aquelas poucas sementes, regadas e cuidadas, continuam dando frutos ilustres através da Academia Arapiraquense de Letras e Artes.
Estávamos em 14 de junho de 1987. Estamos nos aproximando dos 40 anos. Muitos deles já estão em outra dimensão, e outros estão chegando ao campo literário, tendo muito a contribuir com as letras, não só em Arapiraca, mas em todo o sertão de Alagoas.
Hoje, a Acala, tendo como presidenta a Dra. Emanuele, vem prestando grande serviço à região, sendo um órgão respeitado e conhecido por todos.
Dom Hélder Câmara sentenciava: “Ninguém é melhor do que todos juntos.”
Se quiser, posso deixar ele ainda mais refinado para publicação em livro ou discurso formal.

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