UMA NOITE DE LUAR

Antonio Machado



A natureza, em sua sapiência infinita, dentre as belezas criadas, colocou nas alturas do céu a lua prateada, que não produz luz própria. Somente à noite, quanto mais escura, é que a lua mostra todo o seu esplendor. Sendo um astro fixo na abóbada celeste, aspergindo toda a sua luz, variando de continente para continente, porém, com a sua magnitude em beleza, aos que mais gostam e admiram o luar.

Para tanto, quem vive nas cidades não sabe cantar o luar. O sertanejo, que vive nessa região inóspita e amarga, extasia-se diante da grandeza de uma noite de luar, mormente quando ocorre a lua cheia, o plenilúnio, sobretudo quando ela enche todo o seu círculo, tornando-se mais bonita e cativante. Os poetas têm cantado, em prosa e verso, a grandeza desses momentos proporcionados pela natureza.

O luar é todo seu. Quando ela vai embora, leva consigo a grandeza da lua, iluminando outras paragens com a mesma força que a natureza lhe fez. Dizem os estudiosos que a Lua é 42 vezes menor do que a Terra. Talvez seja por isso que os geógrafos tiveram que dividir a Terra em cinco continentes, para que todos pudessem desfrutar dessa grandeza infinita feita por Deus.

O poeta Colly Flores escreveu esta trova:

“Novena no sertão,
numa noite de luar,
traz-me recordações do passado
que às vezes me faz chorar.”

Às vezes, o anum se assusta no ninho com a impetuosidade dos ventos nas noites de lua cheia. Os notívagos voam aos céus na busca de sua sobrevivência. E o pagode de Lucila? Vara a noite, rompe a madrugada e chega o dia, quando o poeta Miguel Valério tira a derradeira:

“Vamos embora, gente,
que o dia já vem raiando,
nós todos brincando
na noite de lua cheia.”

O pagode, o reisado, a varsilheira, o coco e o cassimicoco são peças fundamentais das festas sertanejas. A lua é dos enamorados, que ainda fazem juras e perjuras, e muitas dessas juras caem no ostracismo do amor que nunca existiu.

Os cantores boêmios derramam-se em suas músicas melosas, porém belas, que encantam a todos. Dentre tantos outros, destacam-se Nelson Gonçalves, Nora Ney, Osnir Silva, Enoque Lisboa, Núbia Lafayete, Ângela Maria, Expedito Novaes, José Augusto (sergipano), Augusto Calheiros e tantos outros que levaram sua vida cantando e encantando a todos, fazendo cair, muitas vezes, uma lágrima furtiva, na lembrança de um amor que o tempo levou e não trouxe mais.

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