MARINGÁ, A CIDADE CANÇÃO

Antonio Machado

A música alegra a alma e enternece os corações, porque é obra divina, dentro de um contexto com uma dimensão imensurável, que faz transpor por caminhos etéreos até aos campos transcendentais, a música nos faz cantar como também nos faz chorar, dependendo do estado de espírito, ou mesmo o momento que estivermos ouvindo.

A música é sublime,dá-nos nova vida e alimenta a esperança, muitos são aqueles que fazem da música a sua vida, música é vida. Perci Bisshe (escritor inglês) escreveu:"a poesia ergue o véu da beleza oculta no mundo", porque a música é beleza,é harmonia e se torna imortal imortalizando também seu autor.

Foco hoje o nome do grande compositor médico, Joubert Gontijo de Carvalho, segundo filho dos dez irmãos do casal Tobias de Carvalho e Francisca Gontijo de Carvalho, tendo nascido aos seis de março de 1900, em Uberaba Minas Gerais. Trouxe Joubert de Carvalho a vocação indômita para a música e a medicina. Muito cedo foi morar em São Paulo com os pais, onde estudou música e medicina, porém a facilidade de compor letras musicais que encantavam aqueles que o ouviam.

Sua primeira letra musical data de 1913,quando da fundação da Cruz Vermelha em São Paulo no período de 1914 a 1918, Joubert compôs cerca de vinte composições destacando-se sublime tango ,traição, pressentimento e tantas outras. Possuía Joubert de Carvalho uma inteligência privilegiada, na faculdade teve por colega Osvaldo Cruz filho, sendo ele filho do grande sanitarista Osvaldo Cruz, mas somente em 1921, saiu um disco com suas composições.

Em 1927 travou amizade com Olegario Mariano,“o poeta das cigarras” que estava em ascensão, fizeram parceria e Joubert passou a frequentar com a sua idade a casa do poeta, dessa dupla saiu cai, cai e tatu marambá gravadas por Gastão Formenti, seguindo-se “De papo pro ar” “Dor de recordar” “Zíngara” e tantas outras que o Brasil cantou e se encantou.

Joubert de Carvalho se casou em 1927 com Elza Faria de Carvalho, de cuja união nasceu um único filho Fernando Antônio. No estado do Paraná, uma vila crescia a passos largos, e seus moradores resolveram escolher um nome para a futura cidade, que já carecia de sua emancipação. E numa reunião o ministro José Américo, abordou o drama da seca naquele ano, e dos municípios mais atingidos estavam"Ingá" "Pombal" "Areia" porém não formavam rima musical,foi quando Joubert de Carvalho descobriu que soava bem a contração "Maringá",foi aí que a senhora Elizabeth Thomas esposa do presidente Henri Thomas, da Companhia de Melhoramentos do Norte do Paraná, presente na reunião, disse: Por que não damos o nome da mais bela canção brasileira, Maringá, cuja sugestão foi acatada com aplausos, corria dez de maio de 1947,nascia oficialmente a cidade canção, Maringá hoje uma grande metrópole daquele estado.

A letra é magistral, porém notadamente na suposta Maria, moradora em Ingá, sente-se a inteligência translúcida de Joubert de Carvalho em compor tamanha joia musical, contudo ,dada a exiguidade do espaço citando apenas uma estrofe da música as demais seguem a mesma beleza.

Escreveu Platão, aC. “a música revigora a alma, lhe dá graça e iluminação.” foi numa leva/que a cabocla Maringá/ficou sendo a retirante/que mais dava o que falar/e junto dela/veio alguém que suplicou/para que nunca se esquecesse/de um caboclo que ficou…

"Inúmeras foram as músicas compostas por Joubert de Carvalho recebeu na cidade o nome de sua música Maringá, a cidade canção, incluindo-se uma avenida com seu nome. Joubert teve uma vida longeva, tendo falecido no dia 26 de agosto de 1977

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