ENFIM,TERMINOU O INVERNO QUE NÃO HOUVE

Antonio Machado

O título que epigrafa este despretensioso trabalho, talvez, no momento, seja esdrúxulas, mormente para àqueles que dependem tanto do inverno, quando as chuvas caem no tempo certo, propiciando ao agricultor a preparação do solo. Contudo, os estudiosos dos astros afirmam que, da década de 1970 para cá, parecem que a mecânica celeste tomou uma nova dimensão, diferente das leis da natureza.
Vários anos de seca têm surgido ao longo dessas décadas, marcando sensivelmente a agricultura. Registre-se também que a fauna e a flora têm sofrido ações devastadoras por falta da chuva. E o inverno? Esse já morreu e faz tempo, só falta ser enterrado, porém o ataúde já deve estar pronto, porque água é vida. Vive-se num país que depende essencialmente das chuvas, notadamente as do inverno, e, se essas falham, a terra resseca e nada produz.
O ano de 2025 praticamente não houve chuvas, apenas algumas esparsas surgiram em partes do estado; outras sequer molharam a estratosfera da terra. Esperava-se o início do inverno, porém esse não veio. Via de regra, apareciam pequenas chuvas, sem perspectivas para a agricultura. Enfim, o inverno começou no meio e morreu.
O feijão, o alimento básico do sertanejo do Nordeste, é figura rara nas feiras livres do sertão, porém vem de outras regiões onde houve inverno. O que muito ajuda são as cestas básicas enviadas pelo governo estadual que, com apoio dos gestores municipais, distribuem mensalmente nos municípios.
As secas sempre acompanharam o homem ao longo da história, causando grandes transtornos ao povo. A seca de 1970 parece que foi o início de uma era dentro da história. Centrado nesses momentos tão hostis, o poeta e político Olímpio Sales de Barros (1910-1974) escreveu:
“No fim de 1969
ainda estava chovendo
muita gente já dizendo
70 sei que não chove
o que é que se resolve
se a trovoada falhar
eu aqui não vou ficar
porque não dá jeito pra mim
o tempo tá seco e ruim
e a chuva não quer chegar!”
Não é uma décima metrificada, pois o autor era autodidata, mas escrevia suas poesias e seus poemas, que encantavam a todos, como esta décima pragmática.
As chuvas do inverno que não houve parecem que se transformaram em ondas de calor ardente, que vêm castigando com um calor sem fim. Mas espera-se que, talvez, não muito talvez, as chuvas estejam às portas.

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