ENFIM, O INVERNO DE 2025 CHEGOU AO FIM Antonio Machado

Antonio Machado



Estou escrevendo dentro do sertão, do polígono da seca do município de Olho d’Água das Flores, do cantado, decantado e sofrido Estado das Alagoas. A história dos homens nos mostra claramente que as secas têm sido sua companheira inseparável, no seu palmilhar na face da Terra. O mundo a partir da década de 1970, parece ter tomado uma nova dimensão, mormente, no Nordeste, quando os invernos têm sido inconstantes, prejudicando sensivelmente a agricultura, ponto básico da sobrevivência humana e afetando tanto a vida animal quanto a vegetal. Os invernos fracos e pífios têm gerados as secas periódicas, forçando o agricultor, o homem do campo, na maioria das vezes, sendo empurrado de seu habitat, engrossando as filas da pobreza nas cidades, este ano muitos agricultores, plantaram sequer, um pé de feijão, alguns optaram em plantar milho para fazer silagem para seus rebanhos, enquanto a palma forrageira foi no passado a redenção da agricultura na região sertaneja, e hoje é objeto de luxo, face a falta de chuva a palma não subsiste as secas, somente os grandes fazendeiros possuem algumas reservas desse cacto, valendo-se do bagaço da cana como ração trazido da zona canavieira do Estado, que também vem se ressentindo com a falta de chuva, valendo-se do sistema de irrigação, quando se sabe que Alagoas está inserida num plano da bacia leiteira. O Governo do Estado em consonância com os gestores municipais, sensíveis ao drama da seca que ora avassala a região, vem mandando mensalmente uma cesta básica para as famílias mais carentes, além dos carros pipas através do Governo Federal. Relembro aqui o final do ano de 1969, o último ano bom da década de 60 e o início da temível década de 70, levando o poeta e político, Olímpio Sales de Barros (1910-1974), escrever: “No fim de 69/ ainda estava chovendo/ muita gente já dizendo,/ 70, sei que não chove/ o que é que se resolve/ se a trovoada falhar/ eu aqui não vou ficar,/ porque não dá jeito pra mim/ o tempo tá seco e ruim/ e a chuva não quer chegar”, e realmente ocorreu em 1970, a maior seca da década notadamente, no Nordeste, a estrofe acima parecia um presságio como protótipo do fim de um ciclo e o início de outro. O inverno além de pequeno, quase nada deixou para a agricultura e assim chegou ao fim. Concluo meu comentário com a estrofe do imortal poeta Manoel Bandeira (1886-1968), que assim escreveu: “O sabiá do sertão/ só canta quando chove/ cantando passa três/ e sem cantar passa nove/ pois tem por obrigação/ de só cantar quando chove”.

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