Blogs: A dança das libélulas

Literatura

João Neto Félix Mendes - www.apensocomgrifo.com

A libélula, também chamada de tira-olhos, lavadeira ou jacinta, é um inseto alado que carrega consigo tanto ciência quanto poesia. Seu nome vem do latim Libellula, diminutivo de liber (“livro”), pela semelhança de suas asas com páginas abertas, como se a natureza escrevesse sua própria história no ar. É considerada um dos primeiros insetos a surgir na Terra.

Com a habilidade de voar em todas as direções, até mesmo para trás, a libélula simboliza adaptabilidade e flexibilidade. Caçadora ágil, devora moscas, besouros e mosquitos em pleno voo, tornando-se guardiã silenciosa dos humanos. No campo espiritual, é vista como mensageira de transformação e renovação, lembrando-nos da força de superar desafios e acolher mudanças. Muitos acreditam que sua presença anuncia sinais do invisível, como se fosse um recado vindo do mundo espiritual.

Entre o mundo material e o simbólico, a libélula nos ensina que a vida é movimento e que o equilíbrio só se alcança quando aceitamos a impermanência. Assim como suas asas se abrem como páginas de um livro em movimento, nossas decisões compõem capítulos que revelam quem somos, tanto nos acertos quanto nos tropeços. É nesse entrelaçar de experiências que se desenha a verdadeira sabedoria da existência.

Desde o ano passado, acompanhamos descendentes de Francisco Camilo Nobre (1921-1993) que migrou para Recife na década de 1940. Gerações da família dos “Nobres do Batatal”, desejosos de reconciliação com suas memórias, retornaram para visitar e recordar vivências na grande casa de alpendre dos tios e avós. Hoje, no local — atualmente propriedade de terceiros — restam apenas ruínas tomadas pelo mato e lembranças, outrora, do clamor de vozes na casa cheia de gente.

Essas paredes desmoronadas guardam não apenas o pó do tempo, mas também o eco das vozes que ali se entrelaçavam em risos, histórias e afetos. O que antes era espaço de convivência, hoje é testemunho silencioso da passagem do tempo.

As origens da família remontam aos fundadores Martinho Vieira e Ana Tereza, no século XVIII, conforme discorre a antropóloga santanense Luitgarde Cavalcanti de Oliveira Barros em seu artigo Santana do Ipanema pelos Caminhos da Memória, integrante do livro Sertão Glocal: um mar de ideias brota às margens do Ipanema (Melo & Gaia, 2010).

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