Colunistas: O DOIDO CATREVAGE

Literatura

Por Djalma de Melo Carvalho

Vez por outra me lembro de Lulu Félix, simplória figura popular de Santana do Ipanema, conhecido como mentiroso. Boa praça, sempre de paletó sem gravata, baixa estatura e bastante risonho. Quando contestado pelos frequentadores do Bar do Tonho, estabelecimento comercial outrora existente no centro da cidade, dizia ele: “Vocês não leem, não viajam...”

O tempo passa depressa. Se hoje estivesse vivo, Lulu Felix estaria, por certo, embasbacando seus incrédulos amigos do Bar do Tonho, a perguntar-lhes o significado de catrevage, catervagem e paradoxo, neles aplicando lições de semântica.

Leio, agora, que catrevage e catervagem significam a mesma coisa. Aquela é, segundo mestre Aurélio, alteração linguística desta, ambas palavras usadas popularmente no nordeste brasileiro, como “restos de material de construção ou montão de quaisquer objetos e grande porção de pessoas”. Graciliano Ramos, por exemplo, empregou catervagem em São Bernardo, seu segundo romance da gloriosa carreira literária do mestre alagoano.

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