Viajando pelas rodovias e estradas vicinais alagoanas é inevitável não perceber que às margens, em meio a agitação da vida moderna ou nos campos, existem cruzes nos lembrando que ali morreu alguém vítima de assassinato ou de acidentes de veículos.
No silêncio dos caminhos, onde o vento sopra poeira e lembranças, pequenas cruzes surgem como cicatrizes visíveis de vidas interrompidas. À primeira vista, parecem apenas madeira e tinta, mas há nelas algo que não se vê; promessas sussurradas, dores caladas, gratidões eternizadas.
Ninguém sabe ao certo quem as ergueu. Às vezes, é o próprio causador do infortúnio que ali fincou a cruz como um pedido de perdão. Outras vezes, é a mãe de olhos inchados de saudade, ou o devoto que recebeu um milagre e ali crava sua fé em forma de madeira. Há quem diga que aquelas almas podem interceder por nós, como se cada cruz fosse uma ponte entre o chão e o céu.
Pedrinhas cercam esses altares improvisados. Algumas são deixadas por quem passa e não pode acender uma vela. Nesse caso, uma pedra também guarda essa intenção. Outras parecem flores de pedra, crescidas no concreto em homenagem ao que foi e ainda é. Cada uma carrega um gesto simples: lembrança, súplica ou respeito.
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Blogs: Onde a fé toca o asfalto (O fenômeno da santa-cruz-de-beira-de-estrada)
LiteraturaPor João Neto Félix Mendes - www.apensocomgrifo.com 09/07/2025 - 17h 45min Reprodução www.apensocomgrifo.com
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