Esta semana, em sua oitava edição, o projeto Cinema no Campos, exibira mais dois filmes, o primeiro, primeiro “Memórias de uma saga Caeté” (Direção de Pedro da Rocha) filmado em 2012, trata-se de um documentário, o qual, através da mediação da fala dos moradores de Santana do Ipanema, relata a história do segundo, “A volta pela estrada da violência”, sendo este segundo um filme que histórico, pois tratar-se-á do primeiro longa-metragem filmado em Alagoas. Filmado em 1971 durante os anos de recrudescimento da Ditadura Militar, e durante os anos de consolidação do Cinema Novo, o enredo da “A volta pela estrada da violência’” é simples e paradigmático:
A volta pela estrada da violência: uma narrativa (primitiva) do cangaço

Após a morte do marido, Geracina e seus três filhos dependem apenas de um cavalo como fonte de sustento. Com a seca que assola a região, o fazendeiro manda fechar a única fonte de água das redondezas. Ao tentar violar a cacimba para dar água ao cavalo, o filho mais velho é assassinado. A viúva apela para a Justiça, mas o juiz, comprado pelo fazendeiro, absolve-o. Mãe e filho abandonam a região e quando o filho caçula, atinge a maioridade, a mãe incita-o contra o fazendeiro para vingar a morte do irmão.
De pronto, frente a este enredo, estamos diante de uma montagem paradigmática de um dos núcleos geradores da cultura da violência: a vingança dos crimes de morte. O filme, que se pretende enquanto um retrato realista da violência, destoa dos enredos de tantos outros filmes do Cinema Novo, sendo neste sentido “Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), exemplar - quando neles, a violência se revelava revolucionária e precursora de uma nova ordem. Todavia, em “A Volta pela estrada da violência”, o final da revolta da violência, se revela em seu desfecho, enquanto uma revolta trágica em seu fechamento histórico diante da derrota dos cangaceiros revoltosos em seus embates diante das forças da ordem. Filmado em Santana do Ipanema, pode-se pensar não ter sido a escolha do lugar se dado ao acaso, quando verificamos ter sido Santana do Ipanema, o lugar do nascedouro de alguns dos mais famosos pistoleiros das Alagoas.
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(*) Crítica: Prof. Edson Bezerra
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