Numa sociedade aberta, nos moldes de Karl Popper, a crítica é um dos seus pilares, e todos indistintamente devem ter direito à vez e à voz. Significa ainda que, em termos democráticos e sob os ditames da razão, as pessoas podem mudar de opiniões ou não, sem serem condenadas ou perseguidas por isso. Ou seja: as sociedades abertas dispõem de meios racionais para evitar que moralizadores e/ou autoritários tentem impor a sua moral moralizadora ou as suas vontades de poder aos demais.
Numa sociedade aberta democrática, não precisamos de tribunais virtuais, se somos livres e capazes de fazer reflexões sobre tudo, inclusive e principalmente sobre nós mesmos. Os tribunais virtuais são as novas formas de vingança privada a serviço de milícias e militantes digitais presos às suas crenças e ideologias, são os novos coliseus, onde a sociedade do espetáculo vibra com o estrago feito nas reputações alheias, como se a ampla defesa e o contraditório fossem abstrações ainda por serem pensadas, uma utopia ou mesmo nada. As reflexões reflexivas, a autoconsciência, o arrependimento, a dúvida, o receio, o perdão, a compaixão, não devem ser vistos como fraquezas humanas e serem perseguidos como um mal a ser combatido. Eles, ao contrário, refletem o que somos e onde nos encontramos: em um mundo fenomênico dinâmico do qual a esfera humana faz parte.
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Colunistas: Os pilares éticos da sociedade aberta
LiteraturaPor Adriano Nunes 10/07/2020 - 09h 59min
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