Critico veementemente o artigo "Por que torço para que Bolsonaro morra" bem como uma imagem em que se traduz a ética utilitarista desse desejo e que circula na internet. Desejar a morte de alguém é mesmo um irracionalismo. Torcer para que alguém morra com base em um cálculo utilitário é flertar com o que há de mais grotesco em nós. Se se critica o desprezo de Bolsonaro pelas vidas na pandemia e além-dela, por que se quer ocupar retoricamente esse mesmo espaço discursivo?
A ética utilitarista é falha e abjeta, faz um cálculo que, resumidamente, se traduz na obtenção da máxima felicidade para o maior número de pessoas, isto é, procura justificar o sacrifício da minoria em nome da maioria. Tal ética é incapaz, portanto, de respeitar direitos e garantias individuais. Pois, se for para o "bem" da maioria, qualquer um pode ser exterminado a priori. Essa perspectiva só enxerga o indivíduo dentro do todo e se ele for "necessário" e "útil" para esse todo.
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Colunistas: O paradoxal artigo de Hélio Schwartsman
LiteraturaPor Adriano Nunes 08/07/2020 - 08h 15min Arquivo Pessoal
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