Encontrei no meu livro de anotações – sem ordem de qualquer natureza – os seguintes versos atribuídos a Cecília Meireles (1901-1964), talentosa poetisa brasileira do passado e autora de mais de 50 obras publicadas: “As águas não eram estas/ há um ano, há um mês, há um dia.../ nem as crianças, nem as flores,/ nem o rosto dos amores.../ Onde estão água e festas anteriores?/ E a imagem da praça, agora./ Que será daqui a um ano,/ a um mês, a um dia, a uma hora?”
Nos dias 24 e 25 deste mês de julho, estive em Santana do Ipanema para participar de reunião ordinária da Academia Santanense de Letras, Ciências e Artes. Também para reviver as emoções de uma noite da tradicional festa da padroeira da cidade. Da calçada ouvi a missa festivamente celebrada no interior da igreja matriz. O final da celebração permitiu-me abraçar e cumprimentar amigos, conterrâneos e familiares que iam paulatinamente deixando a igreja.
A propósito dos versos nostálgicos de Cecília Meireles, assimilei os mesmos sentimentos da poetisa após circular pela cidade, sobretudo pelo seu centro comercial, agora tomado por elegantes butiques e por novas casas de negócios. Centro comercial totalmente repaginado, modificado. Do passado, a meu ver, poucas e tradicionais casas comerciais ainda resistem à voracidade dos tempos modernos, tempos insensíveis ao passado, à tradição, ao patrimônio histórico, à história do lugar.
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Colunistas: MEMÓRIA HISTÓRICA DESTROÇADA - por Djalma Carvalho
LiteraturaPor Redação com Djalma de Melo Carvalho 01/08/2019 - 23h 59min Acervo Darras Noya/João Neto Félix Mendes
Antigos casarões que ficavam no centro da atual Praça Senador Enéas Araújo/Manoel Rodrigues da Rocha
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