Ele estava internado com complicações hepáticas
Morreu na madrugada desta sexta-feira (30), o pintor e escultor alagoano Pierre Chalita. Ele estava internado no Hospital do Açúcar, em Maceió desde o último sábado (24), com complicações hepáticas. A informação foi confirmada pela sobrinha do artista, Renée Le Campion. O artista plástico morreu de falência múltipla dos orgãos.

Velório do artista (Foto: Adelaide Nogueira)
Pierre Chalita tinha 80 anos e era detentor de um dos maiores acervos sacros de Alagoas. O corpo dele está sendo velado na Fundação Pierre Chalita, no bairro do Jaraguá. O sepultamento ocorrerá no cemitério Nossa Senhora da Piedade, localizado no Prado, às 16 horas.A viúva do artista disse que a saudade era grande e que Pierre sempre foi seu companheiro. ?Nos conhecemos num lindo baile de carnaval no Clube Fênix, eu tinha 15 anos e me encantei com ele? ? disse Solange Chalita.
Ela lembra que, durante toda a vida, teve o apoio irrestrito do marido para o trabalho que desenvolvia. ?Sempre contei com Pierre para todos os desafios que enfrentei?, completou.
Quanto a paixão do artista pela arte de colecionar, ela lembrou que a peça que iniciou a coleção dele foi um espelho comprado da costureira de sua mãe. Solange Chalita disse ainda que o ex-companheiro também gostava de colecionar selos.

Amigos e parentes no velório (Foto: Adelaide Nogueira)
Luto oficial
O governador de Alagoas Teotonio Vilela Filho esteve no velório e lamentou a morte do artista. ?Pierre chalita é um patrimônio expresso da cultura. Grande patrocinador e valorizador da arte? ? afirmou.
O Estado decretou luto oficial pela morte do artista plástico.
Histórico

Quadro em homenagem aos seus pais (Foto: Adelaide Nogueira)
Era fundador do Museu de Arte Pierre Chalita, criado em 19 de maio de 1980, cujo acervo é composto de imagens dos séculos XVII, XVIII e XIX, principalmente nordestinas. São cerâmicas, prataria, mobiliário, desenhos e pinturas variadas. É administrado pela Fundação Pierre Chalita, junto com o Museu de Arte Brasileira.
É vasto seu núcleo de peças sacras, documentando, sobretudo, a estética barroca do período colonial.
Do Modernismo, há obras de João Câmara, Alfredo Volpi, Carlos Scliar, entre outros.
E os artistas alagoanos também compõe seu acervo cultural. Há obras de Lourenço Peixoto, Rosalvo Ribeiro, Fernando Lopes, e Vicente Ferreira de Lima. Além, claro, de várias peças do próprio Pierre Chalita e de sua esposa, Solange Lages Chalita, que também é artista plástica, poeta, ensaísta, contista e crítica literária brasileira.
Chalita ilustrou diversas obras literárias, entre elas Um Gosto de Mulher (poesia) e Vida, Paixão e Morte do Irmão das Almas (novela).
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