DIALOGANDO COM PAPAI NOEL

Crônicas

Alberto Rostand Lanverly Presidente da Academia Alagoana de Letras

Recentemente estive em Estrasburgo, joia europeia que o mundo inteiro conhece como um dos altares mais luminosos do Natal, pois ali, as ruas parecem exalar o próprio espírito do Noel.

Em cada esquina, vento doce soprava sobre mim, como se a pureza do Papai Noel brincasse de tocar a infância do planeta. Foi então que a memória, sempre sábia, desatou seus laços, quando recordei o dia em que levei Arthur, meu neto, então com dois anos, para ver os enfeites natalinos de um shopping em Maceió.

E com ele nos braços, sentei-me ao lado do Papai Noel para a foto ritual e ao me levantar, o bom velhinho inclinou-se, abriu um sorriso que só os que carregam histórias sabem dar, e sussurrou: “Professor Rostand… que alegria o rever. O senhor me ensinou no colégio Elio Lemos, há décadas”.

Seus olhos expressavam mais que palavras. Olhei-o demoradamente, nada precisou ser dito, pois brilho antigo abriu dentro de mim uma porta suave, que devolvia luz ao tempo em que, com apenas 17 anos, no conceituado colégio da Ponta Grossa, lecionava a jovens que muitas vezes tinham mais idade do que eu.

Era uma época em que meus sonhos eram vastos e ingênuos. Naquele reencontro, renasceu a certeza que a vida inteira tentou me contar: embora engenheiro por formação, sou, e sempre fui, professor por vocação. E os gestos de afeto recebidos ao longo dessa jornada tornaram-se tesouros que o cotidiano, generoso, nunca conseguiu desgastar.

Hoje, já de volta a Maceió, cercado pelos que me abraçam a alma, compreendo que cada ser humano guarda um Papai Noel dentro de si, guardião silencioso dos próprios desejos. Basta escutá-los com a serenidade de uma prece e na Noite Santa, esses anseios sobem aos céus, juntam-se às estrelas, pegam carona nos fogos de artifício e retornam como centelhas de vida, prontas para se tornarem realidade.

Neste fim de ano, acolhido pela família que me ilumina os dias, celebro a alegria de haver vivido o improvável: ter ensinado, um dia, ao próprio Papai Noel. Talvez seja por isso que, desde sempre, nunca deixei de acreditar no bom velhinho, e ele, ao que parece, também nunca deixou de acreditar em mim. Feliz Natal a todos, e que a magia permaneça onde os sonhos dormem.

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