Exagero está morto. O bêbado das algazarras no bar de Bach morreu nos braços da cachaça.
– Estou estarrecida! disse Santana, e a voz se espalhou nas praças, nas ruas, nos becos, nas pedras do Panema, e adentrou janelas das casas com ação indolor, tomou as portas dos prédios públicos. Fim da exploração das algazarras do cachaceiro Exagero. Como a cidade poderia ficar estarrecida?
Ele poderia ter fortunas, como de fato tinha, poderes indescritíveis, mas caiu, morreu no bar de Bach. Exagero encontrava-se diante do balcão no qual fazia acusações terríveis sobre a falsificação no álcool, a água na aguardente, a fraude nas bebidas. Ele fazia escarcéu no estabelecimento de Bach, quando a língua cresceu, cresceu, cresceu e ocupou os espaços na boca e o impediu de falar, e impediu a passagem de oxigênio. Exagero tentou gritar, pedir socorro, pôs a mão na titela, ao lado do coração, como se o procurasse, o velho balcão do bar repleto de garrafas vazias. Exagero tombou. Caiu. Não largou o copo, que nunca ficava vazio.
Santana choraria a morte de Exagero. Haveria três dias de luto em memória dele. O finado tinha muito dinheiro. O solo sagrado receberia o corpo do defunto com flores e coroas à vontade. E espaços, no lugar de culto aos mortos, eram tomados pelo povo. A veneração duraria meses. Chegaria Exagero ao descanso eterno carregado pelos amigos em um caixão caro. E o cemitério experimentaria às avessas um carnaval onde costuma reinar a euforia.
– Que golpe sofreu Exagero! repetiam as ruas santanenses, isto enquanto vagava a alma do defunto pelas casas que o adoravam quando vivo, e endeusa a sua figura depois de morto. As ruas lamentaram a idade do defunto, as riquezas deixadas ao léu, as disputas judiciais vindouras, os litígios entre os seus idólatras a buscarem provas de quem lhe amava mais. Os editores do Diário de Santana com pausas obtusas, na opinião dos que não toleravam os abusos de Exagero.
– Por que não viram tudo isso quando essa figura em Santana vivia entre o povo, convivia entre essas outras figuras, no bar? disse Eufemística, enquanto passava na rua o Sr. Plutocrático. Morrer aos 27 anos como morreram os ídolos Amy Winehouse, Kurt Cobain, Basquiat, Brian Jones, Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Robert Johnson! lamentou Eufemística.
Com a morte de Exagero veio a primeira e única farra dos gêneros textuais entre descritivos e narrativos, os expositivos e os dissertativos-argumentativos, por final, foi a vez dos injuntivos. A intenção dos textos espraiou-se pelas ruas e ganharam as rodagens próximas a Santana; tomaram rumo ignorado os gêneros textuais, ouviam-se os prantos, as vozes ao longe. O gênero conto abraçou-se à estrutura-tipo narrativa aos enredos e personagens. Os gêneros engordaram com as aulas e os blogues, os bilhetes e as cartas, as bulas e as receitas, vieram crônicas, charges, HQs, fábulas e apólogos, manuais de instruções, e chegaram às ruas piadas e notícias, poemas os mais variados que conduziram o cordelista Alexandrino Escansão a falar os seus versos. A novela – comer e beber? Sempre às carreiras – a mais raparigueira; a dar conta de vidas alheias, intrigas e crimes, tragédias, às vezes humor onde não cabia comédia, disse Escansão a Bach, que riu à beça ao ouvi-lo versar sobre esse gênero que guerreia entre parágrafos. Romances de amor e aventura se multiplicaram entre temas nos quais pululavam narradores personagens com participações na morte de Exagero que, ao cair, arrastou a pilha de garrafas das mais variadas bebidas alcoólicas e fez do solo seco um rio de muitas cores a correr em cachoeira com peixes, canoeiros, fausta pescaria; a outros vieram os narradores observadores e narraram em romances imensos, intermináveis, com tiros de clavinote, punhais na saboneteira, cantis e gente morta, coronéis, jagunçada, fazendas, currais, açudes cheios, bezerros e vacas, e surgiram narradores oniscientes com esdrúxulas opiniões. Os relatórios uniram-se ao rol dos gêneros textuais feito moscas em torno do finado Exagero, os telefonemas e os sermões, as leis e os tratados, os bilhetes, as reportagens e os textos multimodais cuja função era persuadir o outro, entreter, instruir nem sempre, informar tampouco – persuadir de quê? O texto formal brigou com o texto informal em praça pública. E a cidade de Santana ficou horrorizada, nunca visto na história, jamais testemunhou um estilo poético tão refinado. O conteúdo ganhou vida com o sopro do povo nas ruas. Subia aos telhados o título ao som de carpideiras, nas calhas via-se subtítulo, os parágrafos corriam nas paredes das casas em lágrimas transformados, e foi pego de surpresa o público-alvo ao saber da inesperada morte de Exagero às vésperas da primavera.
Dias antes, em uma noite de terça-feira, nove, Bach saiu tarde do bar. Que peste foi aquilo! Adiante, próximo de casa, viu correr um vulto. Isso tinha trejeitos de Palermo! Duvidou que o faz-tudo, que foi vendido ao Sul à colheita de cana-de-açúcar, e a mulher dele negociada a uma casa de tolerância, fosse reaparecer nessas horas em Santana. Matutou. Ouviu o roncar dos sapos. Viu mariposas em torno da fraca luz do poste nu. Não era momento de regozijos! disse. Enfiou as mãos por dentro da calça, as arrancou de lá, meteu as mãos nos bolsos e procurou o que não havia deixado neles.
Setembro continha um ar xamã, nas ruas de Santana àquela hora onde a noite reclamava dos voos rasantes dos bacuraus à procura de camundongos. A lua era um fiapo de linha, quase não se enxergava. As serras medonhas, roídas, fumegavam dia e noite, sem olhos, essas enormes criaturas cujas máquinas as rasgavam com afiados dentes e garras e delas extraem raros metais, como se sabe e é noticiado no Diário, o cobiçado Qq usado nas indústrias internacionais.
Neste domingo último, sete, Eufemística foi sol à noite; o bar se encheu de pronomes, como ela dizia depois do vigésimo copo. Os pronomes pululavam, disse. Eu estava em contato em tempo real com Dêitico, que garantia a mim que referenciava o que tem que ser ao mostrar quem fica próximo – este aqui, disse – ou distante como aquela. Prof. Dêitico sempre responde que pode ser aqui ou lá. Dêitico também diz hoje ou amanhã e às vezes agora, até assim Dêitico diz. Não apenas o Prof. Dêitico, disse-me. Catafórico também, que vive de referir-se ao futuro; observe Catafórico, disse Eufemística ao inclinar garrafa e transbordar o copo – Ops! – o respeito, senhores, cabe aqui e cabe acolá. O amigo Catafórico faz questão em antecipar, como de costume, o que fala. Catafórico, neste caso, é oposto a Anafórico, que se refere ao passado; Catafórico refere-se ao futuro.
Eufemística apelava aos pronomes pessoais, aos pronomes possessivos, ela não se esquecia dos demonstrativos, dos interrogativos nos quais deitava e rolava, dos pronomes relativos e, principalmente, dos indefinidos; metia-se nos pronomes de tratamento como se quisesse obter alguma vantagem com a lenga-lenga vulgar, mesmo se o momento exigisse alguma liturgia.
Houve uma chuva, à noite passada, de fábulas e apólogos. Amanheceram as ruas de Santana com as paredes cheias de charges. As reportagens daquela semana, o Diário falava em um mês histórico como há séculos não havia.
Bach, que demonstrou à Ironia que o desejar ser tentava superar o querer, naquela manhã de domingo e sol, decorou as paredes do bar com verbetes. Ele foi buscá-los. Sabe onde? Bach dizia-se científico naquele dia no qual a História se permitiu falar com letra maiúscula, e usava linguagem neutra como convém aos verbetes. Domingo é o dia em que Bach escolhe as palavras com rigoroso critério, informa aos fregueses, os esclarece e, rapidamente, os convence da importância da existência de seu bar.
Os pastéis de ontem repousam em pratos escuros dentro de uma caixa de vidro, e uns são mais inflados se comparados a outros. O bar de Bach coberto por moscas nas mesas, no balcão, no chão, nas paredes. Metáfora ria com as cada uma das comparações implícitas. E Comparação falava alto com as suas comparações explícitas. Metonímia metia outro cigarro à boca, substituía um por outro; demonstrava aos frequentadores do bar o tamanho de sua dependência, e a fumaça empesteia. Era desaproveitada por Sinestesia que, apesar de aprovar a mistura de sensações, ela não tolerava o hábito de Metonímia.
Catacrese, entre as figuras, resistia tão-só graças às pernas das mesas e braços das cadeiras. As figuras de pensamento eram resumidas entre Hipérbole, o poeta de um só poema, que se alimentava de exagero; Eufemismo, que pouco vinha ao bar, e era visto como uma figura que preferia atenuar as expressões porque não gostava de ir direto ao ponto; Ironia, aquela que mora no coração de Bach sem compromissos com despesas.
Entre figuras de pensamento, no bar de Bach, estava Personificação, que vinha negociar fumo e enchia o cachimbo para além de jogar as cusparadas que atravessavam a rua; Antítese, que se opunha a Personificação com termos e ideias; Paradoxo, que era ainda o mais contraditório em Santana; Gradação que, quando não aumentava, diminuía as façanhas das quais dizia ter conhecimento sobre os bandoleiros nas selvas nordestinas.
As figuras, metidas com a combinação das palavras, ocupavam o espaço da sintaxe construído especialmente para elas. Urubus circulavam pela cidade. Bach zelava pelo cantinho da sintaxe com o amor que tem ao dinheiro. Encontrava-se na aresta da sintaxe Hipérbato num bate-papo com Elipse; enquanto Hipérbato mudava a ordem normal das coisas, Elipse omitia o óbvio. Outro era Polissíndeto cujo sonho ainda o acalentava ser dono de farmácia; ele não se desgrudava de repetir conjunções, e tudo ele usava, não como alternativa, mas como contraste, e como adição, porque como causa, portanto como conclusão.
Naquela noite, antes de fechar o bar, Bach teve a impressão de ter visto a sombra furtiva de Palermo correr na rua escura. Viu a sombra e teve medo. Talvez, disse, Palermo tenha fugido do trabalho no Sul, com o corte de cana, e veio cobrar o que fiz com ele e com a sua mulher. Bach não sabia dizer se Palermo ainda pertencia a esse ou se tinha entrado no caixão de Exagero.
No final da tarde, Eufemística, que vivia no bar à procura de amizades com todos os clientes de Bach, em busca de informações de como Lampião se tornou Lampião e Santana o epicentro do lampionismo, vi a obstinação de Eufemística. Não era apenas o TCC; ela nutria um comportamento esquisito com uma de suas amigas de São Paulo. Descobri que Eufemística era amiga Estilística (autora do título Pronome Oblíquo Átono). Estilística comunicava-se por msm de WhatsApp com Eufemística, e o assunto entre elas – vi – eram pronomes que substituíssem alguns substantivos ou mesmo os acompanhasse. Por quê? disse. Porque talvez cada pessoa fosse uma pessoa e não outra entre as pessoas que se considerem, ou não, Pessoa. Quando as duas estavam com pronomes pessoais, envolviam eu, tu, ele ou ela, nós, vós – como se alguém ainda usasse isso! – e eles e elas. Se não fossem os pronomes pessoais eram os possessivos; metiam-se as duas com meu, com minha, mergulhavam na primeira pessoa do singular e saíam na segunda pessoa com teu e tua, da segunda iam à terceira com seu e sua, depois era nosso. Noooooossa! Estibungavam ambas no vosso, na vossa e, outra vez, no seu e na sua. Deixavam os pronomes possessivos, avançavam sobre aqueles demonstrativos com este, com esta. Veja se isso é assunto com o qual se perca tempo em msm de WhatsApp! Horas e horas nisso. Se não era este, era esta; e se não era esse, era essa. Ora essa! Era aquele, era aquela. Depois, Estilística e Eufemística, trocavam memes, emojis. Iam aos pronomes interrogativos, eram quem, era qual, era que, com: Que filme tás vendo, aí? E quem é ele? Ou: Qual deles? Elas separavam-se dos pronomes interrogativos, e logo descambavam naqueles relativos; e usavam que entre duas orações ou e às vezes quem e se referiam à outra pessoa, ou mesmo cujo ou mesmo cuja. Partiam aos pronomes indefinidos com alguém, com algo, com ninguém, com nada. Abandonaram os indefinidos e avançavam sobre os reflexivos; se não fosse me, era te, se não fosse te, era se, com: Ela se veste assim? Minha nooooossa...! Divorciaram-se dos reflexivos, e pousaram nos recíprocos; quando não era um ao outro, era mutuamente. E como pode! Comecei a desconfiar do comportamento dessas duas. Santana via Eufemística como um doce de jaca. Este doce é reverenciado na cidade qual um novo santo na igreja. Não sei se eu via, porque Eufemística, no bar, fingia que eu não via ou se ela queria exibir-se com aquelas conversas na troca de msm. Não demorava – porque o assunto não era outro, – vinham as funções dos pronomes outra vez estabelecendo relações, indicando identidade ou posse, e substituem substantivos. Quem era que era mais biruta? Estilística e Eufemística pularam aos pronomes de tratamento com você, esbanjaram-se com senhor, senhora, caíram no colo de doutor, doutora. Estilística e Eufemística esbarraram em lhe, em cujo, em cuja, em a, em o, como se quisessem abusar dos pronomes.
Não demorou, Santana não mais se lembrava da morte de Exagero. Nem Hipérbole escreveu poemas sobre a morte dele; ensaiou alguma ode, é verdade, uma elegia foi iniciada e o poeta desistiu nos primeiros versos. Não que ele não se esforçasse, isto só reforçou que Hipérbole era um poeta de um só poema.
O bar de Bach tornou-se mais tranquilo com o falecimento de Exagero. O lugar mais silencioso.
Tinha chovido à tarde. Poças d’água pontilham ruas de barro, e cobriam trechos irregulares nas ruas de paralelepípedos. Mergulhavam os pés de Bach nas poças, saíam, avançavam na rua escura. As casinhas, as casas e casarões abriam os braços à passagem de Bach. Ele passou nas casas que ficavam cara a cara com a outra. E, ali, ele disse, nas janelas, as que diziam serem eles, sendo elas; e, lá, – os olhos dele avistaram – a casa deles que se comportavam como se fossem elas. Lá, a casa do Crocodilo; adiante, a residência do Grilo. Lá, a casa do Sabiá. Aqui, a casa da Linha; acolá, a casa da Agulha.
Como se em Santana fosse possível haver crocodilo, comentou Bach. Lá, uma corda conversava com uma árvore – como se possível fosse o apólogo ser igual a uma fábula – à procura de um tronco onde enforcar os vultos que surgiam de Palermo. Os dedos da mão esquerda de Bach circulavam, sob a camiseta, o cabo inanimado da faca; o cabo conversava com a lâmina. Se for Palermo, venha por traição, se for cara a cara, tô a ponto de bala.
Os pés nas poças de lama. Os pés nos paralelepípedos. As ruas escuras. As paredes das casas. As janelas nuas. As casas sem cuidado. As portas abertas e os latidos que preenchiam o caminho. Os pés nas poças. Os pés no barro, no pó. O breu nos becos. Os postes cansados. Ironia nua. E Bach na cama, nu. Os pés tinham pressa. O barro. A lama. Os paralelepípedos. As casas. Ironia em pelo. A lua atrás da serra. Nu, no carrinho de mão com Ironia, no frango assado. O vulto de Palermo. Becos quais bocas abertas ao abismo. As pedras. Os cacos. Urtigas. As mulas do Sr. Plutocrático. Os muros pintados com a propaganda de Omissão. Este fidumaiégua é que tá certo! Os pés nas poças d’água. Os latidos fogem das casas, correm nas ruas, somem nos becos engolidos pela escuridão.
Eufemística voou de São Paulo a Maceió, com escalas no Rio e Salvador; após paradas em aeroportos intermediários, Eufemística, finalmente, chegou ao Zumbi dos Palmares. E, no terminal de Maceió, foi ao guichê da Real Alagoas e comprou a passagem. E, no terminal de Santana, Ironia esperava Eufemística. Elas caminharam nas ladeiras daquela tarde em direção ao bar de Bach, porque era ali onde se encontravam as figuras ao trabalho de conclusão de curso.
– Tens certeza?
– Contenha-se, Eufemística!
– Tá longe?
Ironia subiu e desceu ladeiras com Eufemística. O crepúsculo desenhava as serras que abraçam Santana. Ironia explica à Eufemística cada hipótese que poderia levar à conclusão de que ali era o epicentro do lampionismo. Adiante, o bar de Bach projeta na rua os retângulos de luz amarela que fugiam pelas portas abertas.
Diferente do romance, esta novela de bar possuía várias camadas; alguns preferiam chamá-las de núcleos. No varandão de meu avô, conversávamos Vovô e eu.
Naquela rua de cima, morava o Dr. Ornitorrinco. Lá embaixo, aquela casa em ruínas foi habitada por Escatologia, que vivia com doçura e ódio à vizinhança.
– Que morte estúpida foi a de Exagero! disse Vovô, que chegava da roça.
– Nunca vi criança mais carente do que Exagero. Sempre fazia bagunça, igual a aluno travesso em sala de aula quando quer ser o centro das atenções.
Ele bebeu todas, naquele dia, Vovô; presenciei. Veio a doce, terna, trágica morte e o agarrou com a febre da saudade. Exagero era tido por alguns como o demônio sem nome que fugiu do inferno; outros preferiam dizer que ele era um anjo caído. A verdade, Vovô, é que o inferno o queria de volta. E, antes do fatídico tombo, arrastou com ele umas cinco garrafas de Pitu, outras de Dreher e Bacardi, sob os alucinados protestos de Bach, cobriu-se o morto de aguardente e perfumou o bar.
– Quem vai pagar o prejuízo? com as mãos na cabeça, gritava Bach.
O espólio de Exagero disputado à faca. Todos queriam a sua fatia neste bolo gordo e colorido, colorido e saboroso, saboroso e cheio de guloseimas. Foi o que publicou, em cinco páginas, o Diário de Santana. Surgiu o inventariante do nada, quão o feiticeiro que ludibriou a mãe do menino pobre, Aladim, na troca de sua lâmpada nova pela lâmpada velha e, assim, conseguir a lâmpada mágica de Exagero e tirar-lhe o palácio no coração do sertão alagoano com terras à vontade cheias de gado, água e plantações. A documentação do falecido se encontrava no cartório cuja capa era a certidão de óbito, o miolo, que recheava a pasta feita por documentos de Exagero, páginas e páginas com imagens, comprovantes de bens. Estabeleceu-se a contenda, nas páginas do Diário, se este processo seria definido extrajudicial ou judicialmente. Dr. ITCMD, velho advogado santanense com publicações jurídicas estudadas nas faculdades, ameaçava dar entrada no pedido.
– E Dr. Transmissão Causa Mortis e Doação, não fazia tanto tempo, disse Vovô, foi vizinho nosso. E as aves de rapina?
– Queriam que o processo avançasse.
– Elas sonhavam com a partilha de bens e a transferência de titularidade.
Vovô jogou o gibão, o chapéu de couro com barbicachos, e jogou as botas longe e as perneiras. O guarda-peito no chão. Entrou Vovô em casa, sob a ordem de Vovó. Levou com ele as luvas e o chicote.
A FARRA DOS GÊNEROS TEXTUAIS NO BAR DE BACH
ContosMarcello Ricardo Almeida 15/09/2025 - 10h 33min
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