GRUPO ESCOLAR PADRE FRANCISCO CORREIA

Crônicas

Lucia Nobre

Anos cinquenta. Bancas com vagas para dois alunos que diariamente frequentavam o Grupo Escolar Padre Francisco Correia em uma cidade pacata, de povo simples, isentos das grandes fobias que os dias atuais proporcionam. As crianças da época, nascidas ou não em Santana do Ipanema, terras das Alagoas, privilegiaram-se com o saber da primeira escola oferecida por Santana, de Nossa Senhora Santa Ana, e do nosso querido rio que nos alimentou e nos fortaleceu, para que, hoje pudéssemos contar fatos ocorridos em nossa terra, com nosso povo. Marcas que nos edificam e alicerçam nossas raízes.

Dona Audite, diretora competente e dinâmica, sempre estava a comemorar datas importantes em nossa cidade e em nossa escola. Nessas datas, mesmo feriado, todos íamos ao grupo, fardados e elegantes para a preleção como a diretora anunciava. Todos, em forma, cantavam o Hino Nacional, enquanto a Bandeira do Brasil era hasteada. Recordações, ainda, da emoção em dias de desfile de alunos em sete de setembro. O desfile bem organizado, sempre oferecia novidades aos moradores da cidade que assistiam ao desfile. Os santanenses deleitavam-se com a passagem dos alunos, os quais felizes participavam daquela festa.

Além das festas cívicas, havia as outras que as diretoras faziam com responsabilidade. Como exemplo a formatura. Nossa professora Maria do Carmo Nepomuceno organizou com tanto esmero. Ficou assinalada na memória de toda turma. As meninas de vestido cor de rosa e os meninos também com a camisa da mesma cor. Que festa belíssima! Saímos do Grupo, elegantemente em forma, acompanhados pela Banda de Música do Maestro Miguel Bulhões, rumo a Matriz de Senhora Santana, para missa solene em nossa homenagem. Terminada a solenidade religiosa, voltamos ao Grupo Escolar acompanhados dos familiares para a entrega dos certificados de conclusão do curso e para o lanche que culminava a festa.

Competentes diretoras e estimadas professoras, nossas primeiras educadoras escolares, presenciaram nossa infância, embora distante pelo tempo, mas de nítida memória em nossas vidas. Só temos que agradecer ao nosso querido Grupo Escolar, que serviu de templo para alicerçar nosso conhecimento; as nossas diretoras, que muitas vezes, vindo de outras cidades, contribuíram para o engrandecimento de nossa terra; as professoras Helena Braga Chagas, Helena Alves Chagas, Hilda Carvalho Rego, Diva Duca, Leopoldina Lima e Silva, Maria do Carmo Nepomuceno e outras que prestaram serviços na educação do povo de Santana. A educação escolar desta época marcou positivamente os aprendizes do Grupo escolar. Observa Luiz Antonio de farias, aluno desta Escola, nos anos cinquenta, que, apesar de não fazer parte do currículo escolar, a professora Maria Audite Wanderley ensinava também charadas novíssimas e palavras cruzadas.

As alunas Eliana Lessa Wanderley, Ester (não lembro o sobrenome. Sei que era evangélica e morava na Camoxinga), Geisa Soares, Lucy Queiroz, Maria Vieira Aquino, Margarida (que trabalhou no escritório de contabilidade de Luiz Medeiros), Madge Lima e Silva, Vilma Rodrigues, Ivone Queiroz, Lúcia Nobre, Criseuda e Cássia Soares Campos, Sônia (filha de Ermídio), Sirlene (professora em Santana) e os meninos José Gentil, José Renalvo Lira e outros, se não citados, culpa-se a distância do tempo que ofuscou a memória.

Os nossos queridos pais, muitas vezes com sacrifícios, mantinham os filhos na escola, apoiando-os, ajudando-os, e juntos a eles, felizes ficavam com as vitórias.

Esse puxar de memória foi mais para falar do nosso Grupo Escolar Padre Francisco Correia, que completou seus setenta anos de contribuição ao povo de Santana do Ipanema. Que a escola viva muito mais, que continue sendo sempre homenageada. Que o povo santanense, só tenha a comemorar os bons frutos de tudo que foi plantado e enraizado, com trabalho sim, com sacrifício sim, mas acima de tudo com amor.

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