UMA FARRA NA PISCINA DE DR. ADERVAL TENÓRIO.

Crônicas

Remi Bastos

Euclides Ferreira da Costa (Quidinho)

O ano não me lembro com certeza, mas, provavelmente, tenha sido em 1968. Na intenção variar as biritas estudantis em alguns bares de Santana, resolvemos então, a pé, fazermos um piquenique num dia de Sexta-feira Santa, na piscina de Dr. Aderval Tenório, nas proximidades do Riacho do Bode, a jusante desse pequeno lago. Os personagens desta história são: Eu (Remi), Motorzinho, Reginaldo Falcão e Terezão. Este último, segundo nos dizia, que estava ganhando muito dinheiro com o seu novo e pequeno empório de secos e molhados, um presente de seu pai, Eufrásio Vilela, com destaque para os diversos tipos de cachaça, entre elas, a Pitu, Serra Grande, Mucuri e a estreante em seu balcão, a famosa Chora na Rampa. Diante dessa fartura, este amigo resolveu patrocinar os mantimentos, ou seja, quatro garrafas de cachaça mescladas entre Mucuri, Serra Grande e Chora na Rampa, além de três garrafas de Laranjada Cliper e algumas latas de sardinha e Kitut, tudo isso extraído do seu estabelecimento comercial.
Para refinar ainda mais a brincadeira, eu levei um violão, onde Motorzinho nos afogava na cana, cantando o seu repertório, tais como: Deus como te amo, Sombra e nada mais, Falhaste coração, Eu não sou cachorro não, Gatinha manhosa, Última canção, entre outras. Um gole aqui outro acolá, uma canção e um mergulho nas águas da piscina. Vida de Barão mesmo. Lá para as tantas da tarde, todos já borrachos, seguimos pela estrada empoeirada, aqui e ali uma paradinha para tomarmos um trago e ouvir mais uma cavernosa de Motorzinho. A estrada era estreita para nós. Próximo à casa do amigo Benedito Soares, em uma “meiágua”, estacionamos, tomamos a última dose, enquanto Terezão cantou a sua canção inspiradora, de Leno e Lílian, “A irmã do melhor amigo meu”, referindo-se a Solange, irmã de Reginaldo, sua paixão em silêncio. Nesse instante a dona do casebre abre a porta e diz em alta voz: Bando de satanás respeite a Sexta-feira da Paixão, "discumungados", "infitetos". Ainda deu tempo de Reginaldo quebrar a última garrafa esvaziada nos degraus da casa e partirmos cantando, “Eu não sou cachorro não”. Ah tempo bom que o próprio tempo guardou!

"Pretendo nesta história homenagear, pela lembrança, um grande amigo que nos deixou recentemente, Quidinho".

Aracaju, 05.07.2016.

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