Passei o dia das mães com minha filha Kassia, meu neto Vicente e Everaldo em São Paulo. Costumo brincar com Kassia que São Paulo lembra Santana do Ipanema nas Alagoas. O frio que parece o do mês de julho lá em Santana, o soar do sinos nas igrejas, as ladeiras e o tamanho da cidade. O tamanho da cidade é brincadeira claro. No dia das mães fomos almoçar em uma cantina no Bexiga. Nunca tinha ido. Apesar de não poder queijos e derivados do leite, próprios dos alimentos italianos, pedimos macarrão com molho de tomate com calabresa. Bom, estou falando da cantina, porque algo importante chamou-me a atenção. Como sempre digo, tudo leva-me às minhas origens. A minha família e a Santana do Ipanema. Quando almoçávamos, um Sr. sentou-se em uma cadeira separada das mesas. Chamou-me a atenção. Descobri que era o proprietário do restaurante. Foi o que pensei. O Sr. Walter Taverna, proprietário da Conchetta, já havia trabalhado muito e agora estava a observar sua obra. Depois saiu e sentou-se na calçada, onde havia uma cadeira de três lugares. E eu, querendo conversar com ele, para dizer-lhe que o mesmo lembrara uma pessoa muito querida. As pessoas passavam e conversavam com ele. Criei coragem e sentei-me na cadeira. O Sr. é Walter Taverna? Respondeu-me afirmativamente com cordialidade. Animei-me e falei que ele lembrava meu pai. E contei que meu pai tinha trabalhado muito e quando já estava cansado, sentado em uma cadeira, nos observava trabalhando e também conversava com os amigos e clientes do bar. Falei também, que tudo aconteceu lá no sertão de Alagoas.
Assim, também acontece com o proprietário da cantina em São Paulo. O Sr. Walter é filho de sicilianos, conhecido e dono de várias cantinas no bairro do Bexiga. Também conhecido como o criador do panelaço milagroso. É uma técnica de bater com as tampas das panelas, segundo se sabe, as pessoas se alegram, interagem e se movimentam. Se diz até que, com esta técnica, as pessoas se curam de enxaqueca, estresse, fobias e outras doenças. Perguntou-me se papai ainda estava vivo e se ele trabalhava com restaurante. E lamentou porque ele foi muito cedo. Ainda indagou, se alguém havia continuado o trabalho de papai. Falei que um irmão não deixou morrer tudo que o nosso pai construiu. Papai nos deixou muito cedo, mas as lembranças dele são marcantes. Tanto quanto as lembranças boas que sinto de minha querida terra onde nasci, vivi infância e juventude. Tão bem vividas que fez de mim aquela que sempre se inspira em tudo que minha cidade é para seu povo. Sendo assim, porque não comparar as belas coisas vividas e bem vividas. Sabemos que, quando se vive intensamente uma cultura, seremos marcados para sempre por ela.
ESTAR COM FAMILIARES É SEMPRE AGRADÁVEL
CrônicasLúcia Nobre 16/05/2016 - 02h 07min
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