ENCONTRO DOS POETAS SANTANENSES

Contos

Lúcia Nobre

(Falam das coisas essenciais à vida, principalmente da água da chuva, do sol e do amor).


O poeta gosta de ser
lido, ouvido e aplaudido.
“Oh! Se eu tivesse alguém para me ouvir”(Jó,31-35).

Nada pode resistir ao encanto da poesia que se transforma em música para as almas sensíveis.


Já dizia Manuel Bandeira - Eu quero o sol na tua poesia e na dos teus amigos
João Francisco das Chagas Neto (João do Mato) – Nesta noite fria / madrugada vazia /o tempo passa até o amanhecer / e quando alvorece / o sol aquece / a passarada canta.
Remi (ao rio Ipanema)- vegetação escassa / a seca tudo devora / lá fora numa bandeja de caatinga rara aos pés da serra do cruzeiro, / um veio de água se recolhe às pedras. / acovarda-se, se encurta e pára diante de um sol braseiro.
Chico Santos – Eu fico sempre a dizer que o sentido da vida é o amor.
Mozart Brandão – Imaginá-la já é excitante/ tocar-lhe então seria a glória/ Tê-la perto melhor ainda / Beijar-lhe seria minha vitória.
Remi – Nem o silêncio mórbido da guerra / nem a escuridão sinistra das noites frias, / nem a distância, nem o tempo me fariam esquecer você.
José Malta Fontes Neto – A vida é mesmo assim, diversos lagos se nos apresenta, procurando observar a profundidade deles, mas se não tentamos atravessar confiando no poder infinito do Criador que está presente em nós, não saberemos realmente desfrutar do que reserva o manancial que é viver.
Luiz Antonio de Farias (Capiá) – Os valores humanos são inegociáveis. A dignidade é um deles.
Roberval Noia – Impossível esquecê-lo. Era árido como o sertão em tempo de seca. Mas tal o mandacaru, resistente planta dos sertões, tinha água e sabia doá-la para os necessitados e perdidos naquelas plagas longínquas, nas horas cruciantes.
João Neto Felix Mendes – A vida é bela, principalmente cantando na rua, sem guarda-chuva.
Silvio Melo – Conquistei muitos sonhos e mesmo aqueles perdidos consegui substituí-los por outros. Sempre.
Francisco de Assis Farias (Tamanquinho) – Vou prosseguir no caminho correto/ que caminho é este?/ Não sei se estou perto!/ Depende de mim nisto estou certo.
Marcelo Ricardo – Salve, salve Alagoas, salve, salve!/ Onde o sol nunca se apaga, / vermelho melancia, amarelo manga;
Maria do Socorro Ricardo – As minhas últimas lágrimas eu deixei pra Maceió lavar Pajuçara, Ponta Verde, Ipioca, Paripueira; um mundo de mar.
José Monteiro – Quero voltar ao passado/ Para reviver toda cena / No sertão que fui criado / E me deitar nas calçadas do meu velho monumento/ E ficar olhando o tempo nas noites enluaradas.
Manoel Augusto – Chuva o tempo todo, / nem parece sertão, / água pra todo lado, / enxágua até o coração.
Lúcia Nobre – Para o sertanejo, o rio com água é música para o seu ouvido e quando esta falta, é como se, silenciasse a sinfonia, aí não existe concerto.
João Tertuliano Nepomuceno – Santana é um lugar abençoado entre o alto da Fé no Monumento e o Cruzeiro no Domingos Acácio, o Cristo a sul, e o Santa Sofia a norte. São José traz chuvas, São Pedro prosperidade, São Cristóvão protege os motoristas, Senhora Santana a nós todos.
Lúcia Azevedo – Nem sempre tudo está perdido / mas às vezes o queixo tá ferido, / precisando de um sopro ou um ungüento de quem pode repor o dano cometido.
Maria Gorete Brandão – Eu fico com ela Naninho. Passo uma temporada que o coitado precisa arar a terra dele, plantar, aproveitar a chuva.
Djalma de Melo Carvalho – De qualquer forma, a terra continuará girando, girando, indiferente aos nossos desejos, às nossas anotações, aos nossos melhores sentimentos. As ondas do mar continuarão lavando a areia da praia. As estrelas continuarão brilhando no firmamento. E a lua cheia, prateada e bela, continuará inspiradora de grandes romances.
Maria Celina – Acredite e lute pelos seus ideais que no além do horizonte uma nova estrela poderá brilhar.
Genivaldo Barbosa – Eu queria ser o sol... Desde que tu sejas a lua, pois só assim o teu brilho resplandeceria recebendo minha luz.
Maria Selma Oliveira Campos – Abrir o coração é a maior proposta, e também a mais difícil. Abrir o coração para que o mundo seja melhor a partir da minha ação. “A começar em mim quebra coração, para que sejamos todos um”.

Poesia publicada em 08/10/2006

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