É deveras surpreendente o clima do sertão, em vista de se situar no polígono da seca, com o clima que parece mais devastador, parecendo variar nas regiões, com invernos pífios e fracos, prejudicando sensivelmente a agricultura, que foi, no passado, sustentáculo de uma região, tendo como suporte a palma forrageira trazida do México pela coragem e empreendedorismo de Delmiro Gouveia, cujo cacto também se adaptou nas plagas sertanejas; não fosse, pois, a ganância dos lordes americanos, Delmiro Gouveia teria mudado a face da região centrada no nordeste.
O problema maior e mais grave do nordeste é a falta dagua no sertão, que afeta toda população, além da fauna e da flora. A água é um elemento indispensável em todos os aspectos da natureza, água é vida e, de uma forma tão viva que, sem ela, não se vive; basta se ver que a natureza montou o quadro de elementos para a sobrevivência humana e demais seres: o primeiro passo foi criar a água, os demais vieram posteriormente.
O sertão das Alagoas, onde vivo desde a infância, tenho acompanhado com vivo interesse seus avanços e recuos. Vi pessoas cavando cacimbas de minação para retirar água salobra e beber; vi também outros cavando o leito do rio Ipanema, nos arrabaldes do povoado de Poço da Cacimba, isto em 1956, quando uma seca se abateu sobre o sertão, deixando a população em desespero. Acompanhei também, nos idos de 1953 e 1960, o DNOCS cavar poços de forma artesiana no povoado Pedrão, onde certamente muito dinheiro foi desperdiçado no local, e nada de água; no limiar dos anos 80, nos arredores do povoado Pedrão, o DNOCS (departamento nacional de obras contra as secas) voltou a outros lugares, escavando a terra na busca do precioso líquido; foi muito trabalho e nada de conseguir. Certamente água existe no sertão, mas muito profunda, carecendo de aparelhos apropriados para retirar a água.
As chuvas esparsas, "Os invernos curtos como focinho de porco", e quem paga tudo é o povo, nós, os sertanejos, aclimatados as intempéries da natureza, envidamos todos esforços para amenizar a situação, quando esta se torna mais aguda. Se dermos um retrocesso na história das secas, vamos encontrar tempos piores, onde o atraso, a pobreza gerava a fome e as doenças e mazelas campeavam as regiões.
Hoje, com o desenvolvimento que se tem, mesmo assim as secas periódicas continuam como companheiras do homem, mesmo com a tecnologia moderna, basta que se veja a ação dos carros pipas, levando água as localidades mais necessitadas, tentando minorar a situação. A passos largos está chegando o lendário canal do sertão, trazendo água do rio São Francisco e, talvez, não muito distante, a face do sertão seja outra, onde se tenha uma vida melhor e digna, onde tudo se torne mais bonito e belo.
O poeta escreveu: "O sabiá no sertão/Quando canta me comove/ Três meses passa cantando/ E sem cantar passa nove/ Pois tem por obrigação de só cantar, quando chove".
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