PARA DEUS TUDO É POSSÍVEL- Santana do Ipanema - quinta, 17 de agosto de 2017

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24/09/2015 - 23h 16min
Opinião

Primo Nonato pergunta: E quem tá certo?

(Fotos: Imagem Ilustrativa)
Por Primo Nonato

Nesse 7 de setembro, como todo bom patriota e exercendo o direito que me foi concedido de assentar a minha cidadania, acordei logo cedo e depois de banho tomado, cabelo penteado, dente escovado, e tudo mais que um brasileiro tem por obrigação numa data tão importante, fui para a praça aqui em frente de casa “pra ver a banda passar”.
Mas... Como a banda não passou e pra não perder meu tempo, resolvi dar um retrocesso nos meus pensamentos e fazer uma autoanálise preliminar.
Pedindo ajuda ao nosso psicoterapeuta João do Mato, contratado pelo “Administrador-Mor” do portal pra dar suporte aos frequentadores alucinados do site, ele falou que quem não lembra de tudo que acontece, corre o risco de virar um Bacurau da rua nova.
Foi aí que olhando ao meu redor, me deparei com a antiga farmácia de Seu Moreninho, vizinho a sorveteria de Zé Vieira logo acima do restaurante Elite. Puxando pro outro lado, tava lá o cinema de Seu Tibúrcio, o nosso querido “Cine Alvorada”. Nosso querido sim, quantas histórias bonitas foram iniciadas ao apagar das luzes com filmes como “Dio come ti amo” ou o coração de luto de Teixeirinha?

Hoje esse nosso querido “ex-cinema” está quase esquecido, acho que lembrado quase que, ou apenas nos escritos do nosso estimado professor Fábio Campos.
Nos tempos áureos do Alvorada, cinema era cultura.
Quem hoje com um pouco menos de 130 ou 140 anos não lembra do maior gênio do cinema mundial? Charles Spencer Chaplin.
Ou simplesmente Carlitos.



O cara conquistou o coração do mundo apenas pregando a humildade e a solidariedade sem dizer uma única palavra.
Outro exemplo: Stan e Oliver.
Isso mesmo. Stan Laurel e Oliver Hardy. Ou se preferir...



O gordo e o Magro.
Assim como o Chaplin, essa dupla sem falar nada, conquistou o mundo pregando a amizade, a honestidade e a fidelidade.
Falando nisso, você sabia que Santana do Ipanema também tem o seu “Gordo e o Magro”?
Tem sim... Tudo começou em mil e não sei quanto. Existia aqui na cidade um garotão chamado José Abdon que tinha alguns gramas acima do estatisticamente aceitável, de família tradicional na cidade e era muito querido por todos.
Justamente nessa época, correndo dos senhores de engenho, chegou aqui na cidade vindo da zona da mata, mais precisamente, da Pindoba Grande, um Jovem com alguns gramas abaixo o estatisticamente aceitável chamado Narciso Alécio, que não demorou muito pra misturarem o seu peso com a sua origem. O rapazinho ficou conhecido como o magrinho da Pindoba grande.
Imagine esse cidadão, numa cidade estranha e ainda sofrendo o, sei lá como chamavam naquele tempo, mas se fosse hoje era Bullying.
Mas como dizem que nem tudo tá perdido, chegou aquele cidadão, o José Abdon, ofereceu ajuda, e a partir daí se tornaram grandes amigos.
Foi uma amizade que ninguém acreditava. Um gordo o outro magro, um de família tradicional, o outro retirante, a única coisa que eles tinham em comum, era que os dois estavam sem emprego. A causa eu não sei dizer porque, naquele tempo eu não era nem nascido, mas falam as boas línguas que na época o país estava sendo administrado pelo Partido dos Trambiqueiros . Deixa pra lá!
Ai sabe como é né? O gordo e o magro sem emprego... E agora?
Nisso o José Abdon falou:
Narciso, magro véio, vamos abrir nosso próprio negócio?
- Ô gordo véio, confio no seu talento.
Foi aí que num dos primeiros anos dos anos mil e oitocentos, não lembro bem qual, mas tenho absoluta certeza que foi num 12 de outubro.
Narciso e Zé Abdon, com a cara, a coragem e a boa intenção foram lá até seu Nezinho, alugaram aquele salão vizinho ao Ferrageiro e criaram a primeira agencia do Banco do Brasil.
Sei lá o que se passou nesse meio tempo. Só sei que depois de quase 150 anos de trabalho, o Narciso conseguiu comprar seu primeiro carro. Um fusquina meia oito, amarelo meio desbotado, financiado em 36 meses e avalizado pelo Zé Abdon.
Quando a turma da Dipal lá Palmeira dos Índios trouxeram o dito fusca, Santana ficou como uma das cidades de Alagoas a ter mais automóveis no estado. Já tinha três.
O AeroWillys de Doutor Clodolfo, o Fusca de Narciso e a rural de Seu Aleixo.



Conversa vem, conversa vai, Narciso e Zé Abdon resolveram inaugurar o fusquinha num fim de semana em Maceió.
Sexta-feira, 3:00 da tarde, final de expediente, bagagem já no carro, partem esses dois nossos amigos rumo a capital alagoana.
O Nosso querido Tio Narciso sempre foi um sujeito disposto pra tudo, menos pra dirigir. Pra dirigir é uma preguiça que Deus o Benza.
Ao cair da tarde, quase chegando na Cidade Sorriso nossos amigos foram interceptados por um agente rodoviário lá naquele posto do Tabuleiro do Martins. Falaram na época que o guardião das nossas estradas que quis criar problemas com nossos amigos. Dizem que foi um tal de num sei o que, num sei se era Soarinho ou Zoibunito, mas deixa pra lá. A essas alturas o que menos importava era o nome do guarda. Só sei que:
Apito soprado, carro parado, fusquinha novo, igual receita garantida.
Verificado toda documentação, tudo correto, o guardião das nossas rodovias ainda arrumou um defeito.
- Moço, tá tudo correto, mas sua habilitação é amador. Carteira de motorista amador só pode dirigir carro próprio ou autorizado pelo proprietário.
O José Abdon também nem se avexou. Virou-se pro Narciso e falou.
- Seu guarda, o proprietário desse possante é esse magrinho aqui. Então...
- Narciso, você autoriza eu dirigir seu carro?
O magro Narciso balançou a cabeça afirmativamente e falou: Tá autorizado...
- Êpa, não é assim não... É uma autorização por escrito e registrado em cartório.
- Pô Seu Zóio, quero dizer Pô Seu Guarda, Daqui que agente chegue no centro todos os catórios já estão fechados.
O Problema é de vocês. E apreendeu o fusquinha.
Narciso, que até então estava calado, falou...
- Seu Zóio, quer dizer, Seu guarda! O senhor conhece aquela fabrica de tacos lá em frente o quartel do 20º BC?
- Conheço sim.
- Pois é! Aquela fábrica é do meu cunhado. Dá pra você me emprestar dez contos pra gente pagar um taxi, e amanhã quando terminar seu plantão tu passa lá e eu devolvo o dinheiro?
Diante dessa proposta o guardião vendo que daquela”toca não saía coelho”, jogou uma alternativa.
- Moço, você é o proprietário do carro?
E o Narciso.
- Sou sim
Então assuma o volante e pode embora, o carro é seu.
Narciso, ainda não satisfeito falou...
- Seu guarda... Quer dizer que o meu amigo aqui não pode dirigir esse carro e eu posso?
- Isso mesmo, você pode, ele não.
-Ô seu guarda, num to entendendo mais nada...
E o guarda:
- Como assim???
- Seu guarda. O senhor conhece Seu Lisboa?
- Que Lisboa???
- Guarda de trânsito lá em Santana!!!
E o rodoviário:
Conheço não, mas o que é que tem ele com nossa história aqui?
- Ô seu guarda... Seu Lisboa lá em Santana diz que eu não posso dirigir por duas coisas. Primeiro porque eu não tenho habilitação e segundo porque eu não sei dirigir, e aqui o senhor tá dizendo que eu posso...
- E agora... Quem tá certo... O Senhor ou seu Lisboa?
Numa gargalhada o carro foi liberado.
Como terminou a história, nem precisa contar...
Nossos Heróis tiveram um final de semana maravilhoso lá no bar Castelinho na famosa praia da Avenida.

   Comentários
 
Antonio Sobrinho
domingo, 27 de setembro - 14:16
Com esse pseudônimo, Fábio! Vem logo à memória a música de Narciso: "Mocotolina, eu vi um gato! Mané do Bode botou ponta em Tinonato. Num foi, Tinonato?""
 
fabiocampos
sexta, 25 de setembro - 14:10
Sensacional a épica história do "Gordo e do Magro" contada pelo primo Nonato que tá com cara de ser Albérico Alécio. Agradeço ternamente a citação do nosso nome no início da trama, aludindo ao cine Alvorada "palácio das perdidas ilusões" Parabéns amigo Pinguelê. Gostei do pseudõnimo Primo Nonato.
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