Santana do Ipanema - quinta, 17 de agosto de 2017
  Literatura
Contos
Crônicas
Destaque Literário
Escritores
Espaço do Leitor
Histórias Engraçadas
Marcas do Passado
Não Tropeçe na Língua
Outras Peças Literárias
Poemas
Poesias
Reflexões
Versos e Prosas

  Informação
Assistência Social
Cultura
Curiosidades
Economia
Educação
Entrevistas
Esportes
Geral
Moda & Beleza
Opinião
Polícia
Política
Religião
Saúde
Sexualidade
Turismo
Vídeos
  Especiais
Canal do Sertão
Especiais de Domingo
  Serviço
Documentários
Eventos
Galeria de Fotos
Guia de Negócios
Literatura
Shows e Festas
  Interativo
Fale Conosco
Mural de Recados
Rádio Portal Maltanet
Webmail
 
Crônicas
22/04/2017
UMA FARRA QUE FICOU NA HISTÓRIA
Por Remi Bastos


Todo santanense em si, tem seu lado poético, alguns são mais arteiros, outros menos sagazes. A década de 60 do século passado marcou o período das inesquecíveis serestas em Santana, revelando grandes seresteiros.
Os bares, do Maneca, do Lira e o café do Tonho de Marcelon eram os pontos de encontros dos santanenses amantes do luar e do cafezinho. As letras das canções da época sempre traziam em seu conteúdo o tempero do amor e do ciúme. As serenatas de ouvido no rodapé das janelas, sob o clarão do luar, era uma cena constante entre os jovens, que encontravam aí uma forma simples de revelar o seu amor à pessoa amada. Santana vivia os momentos dos chás dançantes na AABB e das matinês no Tênis Clube.
O Carteiro era uma figura prestigiada pelas meninas da cidade, que ansiosamente esperavam a sua passagem trazendo alguma carta do príncipe encantado. O Cine Alvorada surgia como um cinema moderno apresentando os grandes filmes épicos. Enquanto, Zequinha Bulhões acompanhava com o seu violão o desafogo amoroso dos cantores boêmios. Zé Yoyô, Valter de Marinheiro, Sílvio Bulhões, Moreninho, Zé Malta, Jonas Pacífico, Genival Tenório, Evilásio Brito, Juca Alfaiate, Expedito de Narair, Zé Pinto Preto, formavam a elite dos amantes das boas músicas interpretadas por Sílvio Caldas, Carlos Galhardo, Nelson Gonçalves, Lupicínio Rodrigues, Orlando Silva, Chico Alves entre tantos outros. Certa manhã de domingo, no salão do Tênis Clube Santanense, os grande boêmios estavam mais uma vez esvaziando suas paixões e decepções amorosas. O violão do Zequinha Bulhões na simplicidade do seu maestro delirava o momento com as canções, Fascinação, A deusa da minha rua, o Carteiro e “Bésame mucho” na voz de Moreninho, quando, ao menor silêncio, o Evilásio Brito solicita ao violonista um Lá menor e ataca com a canção, “Número um” de Mário Lago, cujo início da letra dizia assim: “Passaste hoje ao meu lado/ Vaidosa de braço dado com outro que te encontrou”... O público presente aplaude empolgado o cantor, que naquele momento conseguia extrair das suas emoções um sentimento profundo. Atualmente, quase não existem mais estas farras que marcaram épocas. Os sons estridentes das guitarras e as músicas sem letras invadiram os espaços onde a poesia e o sentimento construíram os seus ninhos.

Aracaju, 20/04/2017.
 
 
© 2001/2017 - Portal Maltanet - Todos os direitos reservados