Santana do Ipanema - segunda, 29 de maio de 2017
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Histórias Engraçadas
07/09/2011
TALCO NO SACO...
por Luiz Euclides dos Santos
Certa feita, há alguns anos atrás, estava eu de saída para Maceió, a fim de resolver alguns problemas/negócios, quando me veio a idéia, porque já de costume e pensando em evitar ficar com as virilhas assadas, pois teria que passar um dia batendo pernas na capital, num sol de rachar chão de barreiro, em passar talco no entre-pernas. Assim, além de ficar cheiroso não voltaria para casa de pernas abertas, como moça após perder a virgindade, devido as assaduras que por certo viriam.

Então, não contei história, nem perguntei a mulher a origem do talco em vista. Passei e pronto já sair às pressas para pegar ônibus, transporte que sempre utilizei, pois nunca possuir carro, nem sou burro prá ir de besta. Seguir viagem com tranquilidade, mas em torno de Palmeira dos Índios comecei a sentir algumas pertubações na região pubiana.

Meu amigo, era uma coceira de lascar, uma quintura dos diabos. Ao chegar na rodoviária de Maceió fui direito ao banheiro, paguei o preço dum banho e fui lavar o saco que ardia que só pimenta malegueta. A cabeça da bicha avermelhada, triste que só criança quando perde a chupeta e véio procurando os óculos ou cego sem guia. A estas alturas já tinha comprado um sabonete numa farmácia na localidade e nem peguei o troco de tão aperriado que estava. Lavei, lavei, esfreguei, torci mais do que pano de chão encharcado. Gastei um rolo de papel higiênico enxugando. Legal, que alívio, tô novo pensei e fui embora tomar um coletivo com destino ao comércio, feliz da vida, assoviando igual a um menino depois de ganhar uma cocada ou um picolé.

Que nada, antes de chegar ao comércio recomeçou a minha agonia, agora pior do que antes. Não tive dúvidas, já na rua do Comércio, desci do coletivo, entrei numa loja de roupas e comprei de supetão uma cueca novinha em folha, naquele momento, sem desconfiar de outra coisa, pensei que a cueca que vestia já velha e rasgada, mas limpinha, pelo menos na hora que havia vestido, estava com algum tipo de germe. Em seguida, fui numa lanchonete vizinha e pedi a atendente para visitar o banheiro para uma necessidade extremada, obtendo a tão esperada permissão. Isso mesmo que você pensou. Lógico, lavei tudo de novo e troquei de cueca jogando a velha no lixo e achando que o problema agora estaria resolvido.

Minha Nossa Senhora, Meu Deus, em poucos minutos tudo voltou novamente e ainda mais forte. Andava na capital de pernas arreganhadas, coçando e abanando, quando pudia, o saco. Desolado que só cachorro abandonado pelo dono ou cavalo véio solto na beira da pista. Não sabia mais o que fazer. Confesso que em certo momento tive até medo de desmaiar na rua, pensei, inclusive, em procurar um hospital. Mas, enfim, fui me aguentando esperando o dia passar e um milagre de "São Coça-Tudo", protetor dos coçadores desesperados.

Como tudo tem seu tempo e como dizem por aí: o tempo é o senhor da razão. A medida que a tarde ia se aprofundando e a noite chegando a queimação e a coceira foram aliviando aos poucos. Era devagar, mas o suficiente para alimentar minhas esperanças de voltar prá casa, sem visitar o pronto-socorro. Finalmente, tomo o ônibus de volta à Santana por volta das 19:00h, nunca tive tanta vontade de chegar em casa. A cada cidade que passava tinha a certeza de estar mais perto do doce lar.

Depois de quatro horas de sofrida viagem retorno a minha querida Santana, de onde jamais e devia ter saído naquele dia. Desço a ladeira da rodoviária num pique só, quanto mais andava, mais o saco balançava, mais alívio tomava. Graças a Deus chego em casa, mal cumprimento a mulher e a filharada e passo direto para o banheiro. Grito para me trazerem uma toalha. A mulher desconfiada, pergunta, quase gritando: CHEGOU CAGADO. Nem respondo direito, apenas resmungo, pedindo para ela aguardar um pouco.

Ao sair do banho salvador pergunto de imediato: AONDE VOCÊ COMPROU ÀQUELE TALCO PARA ASSADURAS QUE EU USEI BEM CEDO, ANTES DE SAIR, ACHO QUE ESTÁ VENCIDO? QUE TALCO, PERGUNTA A MULHER. ÀQUELE ALI, O AZUZINHO. E ela rindo a toa, responde: EITA, AQUILO NÃO É TALCO, É O PÓ QUE COMPREI PRÁ MATAR PULGAS DO CACHORRO. Minha nossa Senhora, você colocou veneno de matar pulgas no recipiente do talco? Foi, disse ela. Aí não me aguentei de tanto rir e passei a contar a história prá toda família. Claro, eles ficaram na dúvida se riam ou choravam de pena de mim, pelo drama vivido. A partir desse dia nunca mais passei TALCO NO SACO.
 
 
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