Santana do Ipanema - quinta, 23 de novembro de 2017

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Cheiro de Incenso no ar

Estou descobrindo o Portal e a sua benéfica influência na região, fazendo da informação uma arma de formação e desenvolvimento cultural.  O Portal tem significado também uma maneira carinhosa   de manter informados a nós Santaneses que vivemos pelo mundo a fora e que precisamos sentirmo-nos ligados as nossas raízes, ao nosso povo.
Depois de muitos anos (saí do Brasil em 1990) encontrei  Malta Neto na minha última viagem a Santana em julho do ano passado e foi um momento  especial onde tive a oportunidade de agradecê-lo pela cobertura que fez do funeral do meu querido pai e juntos revivemos nossa época de estudo no colégio Santo Alberto Magno (tempo bom aquele!).
Conversa vai, conversa vem surgiu a idea de mandar para o Portal : “flashes de minhas experiências vividas nos 16 anos que passei no sudeste asiático”. E eis-me aqui, meus conterrâneos  a escrever umas poucas linhas. Mas antes de começar, peço desculpas pelo meu português truncado, pois nesses últimos anos usei-o muito pouco pela necessidade que tive de me dedicar ao estudo do Italiano, Tailandês, Inglês e Indonesiano.

“Era uma vez uma menina que nasceu lá no sertão, que pegou o avião e ninguém    sabe onde foi parar...”
- Dizem que é lá pros lado onde o diabo perdeu as botas, resmungou D. Marinita.
- É sim, - confirma com veemência Sr. Sebastião -  menina Angela sumiu mesmo. Outro dia olhei  no mapa mundi que fica pendurado lá na parede de  casa e num sei não. É longe qui nem a gota, é la onde o vento faz  a curva. Vige Maria que coragem!”

Então pessoal, parafraseando o cantor :“ prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar...”

Cheguei em Bangkok em janeiro de 1993. Meus conhecimentos  sobre a Tailândia e o Sudeste asiático eram um pouco como os de D. Marinita e Seu Sebastião. Tinha uma vaga idéia de que naquela parte do mundo se planta arroz e chove muito.
Vocês podem me perguntar mas porque você foi para tão longe?  Para encurtar a estória, faço parte do Movimento dos Focolares (1) o qual tem como objetivo construir um Mundo Unido. Nos movemos seguindo as necessidades do movimento sempre dispostos a ir para onde for preciso para colaborar com esse projeto.

Cores e sabores

Voltemos aquele lindo Janeiro de 1993, meu primeiro vôo intercontinental, sozinha,  Roma-Dubai-Bangkok. Um misto de entusiamo e medo me envolviam. Sentia-me livre como um pássaro, com horizontes desconhecidos para explorar. O céu estrelado parecia um espetáculo de fogos de artifícios que festejavam quem sabe qual acontecimento importante e magestoso.
Depois de horas de vôo, conexão na exótica Dubai. Era meia noite passada, mas fazia muito calor. Diante de mim um desfile maravilhoso: como em um filme, homens altos com turbantes, vestidos de linho branco, outros com barbas longas, mulheres adornadas com jóias, vestidas de sari de seda de  cores vibrantes, outras vestidas de preto da cabeça aos pés, visíveis somente os olhos tremendamente expressivos. Uau! Estava sonhando?
Em um instante comecei a me dar conta de que realmente começava  um novo capítulo na minha vida e que a única coisa importante era me abandonar aos planos de Deus.

Aeroporto de Bangkok, cinco da manhã... Ainda sonolenta e procurando me lembrar das indicações que me haviam dado e saí em busca de alguém que estivesse me esperando... Mas nada, passados uns 15 min. comecei a me impacientar e procurei un telefone público. O problema è que não tinha nenhuma moeda local. Enquanto isso um rapazinho que fazia limpeza se aproximou e com um sorriso me ofereceu uma moeda. Fiquei paralizada sem entender... (como ele sabia que eu precisava de uma moeda?) Algum tempo depois entendi que a intuição è um dos fortes do povo asiático.
Fiz um sorriso enorme para agradecer... Diante de mim um grande cartaz: “Welcome to Bangkok the angel’s city” .


Bemvindos a Bangkok a cidade dos anjos... O rapazinho da moeda fez jus ao cartaz...  Dei um sospiro profundo, me senti em casa.

 

 

Tailândia em breves peneladas

Tailândia quer dizer “pais dos homens livres”, um apelativo muito apropriado para uma nação que, única nesta parte da Ásia, conseguiu se manter livre politicamente e culturalmente evitando a colonizaçâo Européia e o comunismo indochinês.
Um dos pilastres da sociedade tailandesa é a Monarquia. A atual capital, Bangkok. É uma metrópoles que conta com mais de 9 milhões de habitantes.
No horizonte da cidade se elevam grandes arranha-céus modernos, mas basta atraversar o recinto de um dos tantos templos budistas que nos sentimos invadidos por um sentimento de paz e os olhos ofuscados pelas centelhas douradas dos edifícios e estátuas que fizeram Bangkok famosa como “Cidade de ouro”





 A alma do povo Tailandês é o Budismo, que permeia todos os âmbitos da cultura local, tanto que é impossivel entrar nessa cultura  sem conhecer o Budismo.

 
O Budismo é a religião de mais de 90% da população, enquanto que os cristãos são somente os 0,5%.
A vida monástica é muito considerada. Existem mais de 28.000 mosteiros budistas e  330.000 entre monges e noviços. Todos os homens tailandeses de fato, devem transcorrer ao menos um periodo em um mosteiro, fazendo uma esperiência que pode variar de alguns dias a meses,  anos ou até uma consagração por toda a vida.
 
Elefantes e limusinas

Nos últimos 25 anos a Tailândia surpreendeu o mercado internacional  com um enorme boom econômico. A tigre do Sudeste Asiático, foi alvo de grandes investimentos de multinacionais americanas e européias. O fato é que a Tailândia historicamente ficou numa posição vantajosa em relação aos países vizinhos.

Olhando o mapa geográfico daquela região podemos notar: o Myanmar – antiga Birmania – que sofre há mais de 30 anos as atrocidades de um regime militar corrupto; o Laos Socialista, vítima de uma política internacional de exclusão, é um dos paises mais atrasados do sudeste asiático; o Camboja que só agora começa a se recuperar lentamente da guerra e genocídio do regime dos Khmer Rouge de Pol Pot e o Vietnam que como sabemos depois de vencer a guerra contra os americanos, caiu na armadilha do comunismo Russo e Chinês.

No meio desse mar tormentado, a Tailândia se tornou, aos olhos ávidos dos capitalistas, uma ilha paradisíaca onde usufruir sem escrúpulos os lucros desproporcionados do “desenvolvimento”. O fato é que esse capitalismo selvagem, rapidamente começa a devastar o ambiente e a cultura tão enraizada do povo tailandês com graves e visíveis consequências .




Bangkok é uma metrópoles com um transito caótico, e uma alta porcentagem de poluição. Pelas ruas desfilam a passo lento, as mais modernas e luxuosas mercedes, bmw, volvo, junto aos famosos tuk tuk (triciclo motorizado muito veloz), e um mar de motocicletas que competem com o Italiano Rossi.

 

 

O mais interessante é quando no meio de tudo aquilo encontramos um elefante.... Super legal! É, para os tailandeses, sinal de boa fortuna... só que todo mundo fica  parado  para deixar passar o paquiderme.
Nas horas de pique você pode ficar parado no tráfego de 1 a 2 horas.
O povo tailandês é muito paciente e de um auto controle impecável... são capazes de ficar ali naquele tráfego, com aquele calor úmido e a poluição, sem perder a serenidade, em silêncio como se estivessem fazendo uma profunda meditação. Mais de uma vez vi motoristas de ônibus ou táxi, aproveitarem para tirar um cochilo. Incrivel! Nenhuma agitação ou sinal de aborrecimento.  Buzinar?  nem pensar pois é considerado falta de educação.

Quando voltava do trabalho às 5 da tarde depois de um expediente cansativo, enfrentar aquele trânsito e poluição não era fácil. Lembro-me uma das primeiras vezes que fiquei presa em um engarrafamento num paradeiro daqueles. Foi  muito engraçado... Depois de mais de 30min o ônibus não saía do lugar. Era demais pro meu sangue latino americano. Pedi pro motorista abrir a porta e fui para a rua pra ver o que estava acontecendo – um acidente? A policia? Assalto? Nada disso era o normal tráfego de fim da tarde...  Voltei meia sem jeito, pois todo mundo estava quieto, tranquilo.

Fui aprendendo a lição (quanta coisa a gente aprende com quem é diferente da gente. Não è facil não mas vale a pena!) e comecei a ver que  a calma das pessoas ao meu redor me ajudavam a permanecer tranquila e redescobrir o valor de viver intensamente o momento presente interessando-me por quem estava ao meu lado. Os tailandeses em geral sao muito reservados, então foi uma ótima ginástica para mim, cada vez fazer o primeiro passo para abrir um diálogo. Fantástico! Aquele Mundo Unido (2) pelo qual dou tudo de mim, se constrói assim, no momento presente, com quem está ao meu lado. 

As peneladas são poucas e dão somente pra iniciar a traçar o percurso,  mas pelo momento podemos parar por aqui, e quem sabe a gente não volta pra continuar a estória?

Angela Maria Bezerra Silva - luceam@hotmail.com

 

  1. Para maiores informaçoes sobre o Movimento dos Focolare: www.focolare.org
    • Mundo Unido, è o ideal do Carisma do Movimento dos Focolares. Os seus milhões de membros e aderentes no mundo inteiro, procuram viver e difundir a fraternidade e o dialogo com pessoas de culturas e religiões diferentes, para contribuir assim a fazer da humanidade uma só família.

 

 
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