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05/04/2011
 


PAVIMENTAÇÃO OU PA LAMENTAÇÃO?
Manoel Augusto de Azevedo
Economista e ex- Presidente do IMA


Quero me referir a um assunto que parece banal, sem importância. Todavia, me incomoda de todas as maneiras, seja como pedestre, motorista, ciclista ou simplesmente cidadão. Também não é só a mim que incomoda. Já ouvi inúmeras críticas e nada até agora contribuiu para que esse estorvo urbano fosse sanado. Refiro-me à qualidade dos serviços de pavimentação de Maceió que deixam sem acabamento as linhas d’água, os meio-fios, parecendo costura sem alinhavo, sobrando fiapos. Às vezes as pistas de rolamentos estão bem pavimentadas, mas as suas bordas permanecem esburacadas com as bocas de lobo rebentadas como se não fizessem parte do contexto da via pavimentada, agravada ainda mais, pela ausência de sinalização horizontal. .
As conseqüências são perpetuações de buracos que põem em risco os veículos e os pedestres, acúmulo de águas fétidas, criadouros permanentes de insetos, inclusive dos mosquitos da “DENGUE” e roedores, além do entupimento de bueiros tornando-os susceptíveis a alagamentos freqüentes. Não bastando o visual subdesenvolvido, o cheiro não raro insuportável depõe contra a postura “civilizada” de nossa cidade. Pensei muito antes de escrever este artigo porque não queria passar por intrometido, porém entendo que a coisa pública a todos os cidadãos é pertinente.
Certa feita, quando estava eu Presidente do Instituto do Meio Ambiente, indaguei de um dirigente da Secretário de Obras de Maceió se a minha preocupação tinha procedência, ao que ele me respondeu com uma outra indagação, a qual me deixou deveras intrigado: É VOCÊ POR ACASO ENGENHEIRO? Traduzindo entendi: O QUE VOCÊ TEM A VER COM ISSO? Como se a lógica e o bom gosto, não fossem virtudes facultadas a todos os cidadãos! Ademais, na condição de dirigente do órgão ambiental, tinha responsabilidade de observar e alertar as instituições a cumprirem com eficiência e plenamente as suas funções, reduzindo o quanto possível, os impactos ao meio ambiente. Daí em diante, por muitas vezes tenho chamado a atenção para o acúmulo de águas nas ruas e para a dispersão de lixos a esmo, ao longo das linhas férreas, nos terrenos baldios, nos canais e nos logradouros públicos.
Nada, nada mudou, até quando vamos conviver com a sujeira? Já se tornou praxe geral jogar lixo nas ruas, nos rios , nas praias, e nas margens das rodovias. As pessoas, refiro-me a essa parcela mal educada da população, perderam o senso da higiene, da limpeza, da sanidade, da urbanidade, se é que algum dia já os tiveram. O que mais me intriga é que o lixo não decorre apenas dos morros, das encostas ou das grotas, pessoas “formalmente educadas” jogam lixo a partir dos seus veículos dando um “indigno exemplo aos filhos”. As escolas, de um modo geral, são exemplos de como nunca se deve tratar o lixo!!! Ao visitar algumas escolas sinto-me envergonhado da sujeira. Se as escolas dão o mal exemplo e os pais não se ligam nessa questão, o que podemos esperar das futuras gerações, isso mesmo, dos nossos filhos, netos e ... todos esses jovens que estão por aí...Há casos em que as pessoas respondem: tem garis e empregados pra limpar! Esquecem que povo desenvolvido não é o que mais limpa e sim o que menos suja!...


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