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20/07/2009
DIÁRIO DE UM CAIPIRA PELAS RUAS DE PARIS
 
Ensaio – XIII - O retorno a Grenoble

Manoel Augusto de Azevedo


Segunda feira, 20 horas, embarcamos no “expresso” Eurolines com destino a Grenoble com escala em Lyon. Iniciávamos a última etapa do nosso roteiro pelo Leste Europeu. A estada em Munique foi movimentada e exaustiva. Munique é um caldeirão industrial, comercial e cultural. A vida noturna é movimentada com inúmeros teatros e shows. Os roteiros turísticos são ricos e sofisticados. A visita ao Castelo Neuschwanstein, conhecido por castelo da Cinderela, situado num imenso rochedo nos arredores de Munique (os castelos da Disney foram nele inspirados), é inesquecível. Esse castelo foi construído pelo rei Ludwig II, diz-se que é a concretização da visão do rei, inspirada nas obras de Wagner.

Uma vez acomodados procuramos dormir, face ao longo percurso que se nos avizinhava. Prevíamos desembarcar em Lyon e tomar o TGV para Grenoble. Estávamos enganados. Ao nos aproximarmos da fronteira com a França, o motorista informou que nos deixaria num trevo rodoviário nas proximidades de Strasbourg, pois o seu destino era Paris. Nós deveríamos aguardar outro ônibus procedente de Stuttgart que faria a rota Lyon - Genebra, retornando a Stuttgart e nada mais nos foi dito. Na dúvida, a quem se dirigir? Se o ônibus demorasse ou não chegasse, como ficaríamos? Afinal a nossa passagem dava direito a todo o percurso. Nem o mais reles “pinga pinga” brasileiro ousaria abandonar seus passageiros, sem as explicações devidas. Foram duas longas horas de espera, praticamente ao relento, sob ameaça de chuva e um friozinho cortante de 5° C. Imaginem a indignação. Quinze passageiros de várias nacionalidades - alemães, austríacos, suíços, eslavos, brasileiros e árabes – todos ao “Deus dará”! Uma babel que terminou engraçada, com todos se entendendo, ou quase!... Cada um que puxasse conversa, que procurasse se comunicar. A princípio não foi fácil, porque a maioria só dominava o idioma nacional.

Enquanto aguardávamos, observávamos o comportamento dos outros passageiros. No geral não notamos maiores diferenças, porém, peculiaridades engraçadas e até inusitadas. Um casal de árabes, pequenos comerciantes, camelôs para ser preciso, discutiam em voz alta, gesticulavam e riscavam o chão, pareciam perus em ritual de acasalamento, no início nos deixou, particularmente a nós brasileiros, um tanto assustados, em seguida soltavam gargalhadas estridentes e palavrões incompreensíveis . O que faziam ou diziam, só eles poderiam dizer – talvez uma ópera bufa ou a representação de uma briga com adagas marroquinas por dois eunucos embriagados... terroristas vimos que não eram... ainda bem!

Conheci um estudante alemão que arranhava bem o francês e com os meus arranhões, conseguimos estabelecer um longo papo. De repente chega a nossa “autonave”. Já passava da meia noite, corremos todos para ocupar os lugares que ainda restavam. Ao amanhecer, pouco mais de 5 horas da manhã entravamos na majestosa Lyon, direto para a Estação Central. Lá descobrimos que o nosso ônibus seguia para Genebra via Grenoble. Conseguimos convencer o motorista a nos deixar em Grenoble, claro que não sem uma compensação em euro. Eram 9 horas de uma manhã de sol brilhante quando entramos na Capital do Alpes franceses, estávamos estafados, mas, muito, muito felizes pela bela viagem pelo Leste da Europa, para mim em particular, estava quebrado o mito da “cortina de ferro”!...

maas

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