BERGEN - NORUEGA
DIARIO DE UM CAIPIRA PELAS RUAS DE PARIS
Ensaio XIX - Bergen, Noruega
Depois da festiva passagem por Jelling, seguimos em direção ao porto de Hirtshals, ainda na Dinamarca, de onde partimos de navio com destino a Bergen na Noruega.
Embarcamos no nosso carro e seguimos para o convés para apreciar e fotografar as belas paisagens de Hirtshals, colhendo as últimas imagens daquela região da Dinamarca, numa tarde ensolarada contrastando com um mar gelado, esverdeado e movimentado sem ser revolto. Levamos algum tempo para localizar a nossa cabine.
Acomodadas as bagagens e trocados os casacos já que a noite se aproximava e a temperatura ambiente começava a cair, fomos para o duty free tomar um cafezinho e comprar alguns produtos locais. De passagem pelo salão de festas fomos atraídos pelos sons de músicas conhecidas, “pintinho amarelinho” e “festa no meu apê”, que animavam a criançada. Não deixa de ser agradável ouvir sons e ver pessoas ou coisas que nos remetem ao nosso País, quando em terras muito distantes e de costumes muito diferentes dos nossos, são momentos em que as lembranças da terra soam muito forte. Depois de um dia exaustivo, já perto da meia noite, vale dizer com o sol ainda visível*1, embora muito longe de ser o esperado SOL DA MEIA NOITE, nos recolhemos à nossa cabine na expectativa de que na manhã seguinte, bem cedinho, estaríamos aportando em Bergen na vizinha Noruega.
Bergen é um importante centro cultural e industrial e mais importante “Porto de bacalhau da Noruega”, seu território ocupa numa área de 456 km 2, sua população de quase 300.000 habitantes. Foi fundada por volta do ano de 1070, por Olaf III, no final da era Viking. Bergen foi também a maior cidade da Noruega no período medieval e capital do país de 1217 à 1299, daí então, Oslo a substituiu nessa função. Bergen, também chamada de a capital atlântica da Noruega, mesmo não o sendo oficialmente, foi até o século XIX a maior cidade do País.
Bergen é uma cidade marcada pelos incêndios, foram dezenas ao longo da sua história, alguns de grandes proporções destruíram-na parcialmente em várias ocasiões, destacando-se os de 1455, 1476, o de 1686 destruiu 231 quarteirões e 218 barcos, o de 1702 (queimou mais de 90% dos prédios), o de 1756 (provocou a destruição de 1.500 prédios), e ainda os de 1901, 1916, e o último em 1995 que queimou metade do Bryggenhus (fortaleza medieval) e parte dos antigos armazéns de madeira, símbolos da arquitetura norueguesa dos séculos XV e XVI, restando apenas um conjunto de 10 casarões, patrimônio da Unesco, onde funcionam lojas e museus e constituem-se na marca registrada e principal cartão postal de Bergen. A maioria desses incêndios tiveram motivações religiosos e objetivavam principalmente a destruição de Igrejas e Conventos, entretanto, a expansão dos sinistros pela cidade era inevitável devido a perda total de controle desses incêndios, em face da magnitude deles.
Bergen é, portanto, uma cidade curiosa, localizada numa bela enseada do Mar do Norte e rodeada de 7 montanhas que nos lembram às 7 colinas de Roma, cujas altitudes variam de 800 a quase 1.000 metros. A cidade de Bergen se espraia ao longo dessas montanhas, cortadas por ruas e avenidas bem arborizadas e ajardinadas criando um ambiente agradável e extremamente saudável. Um funiculaire (trenzinho de montanha) liga as alterosas a parte baixa da cidade, proporcionando aos seus 1.000.000 de visitantes todos os anos um visual extraordinário, paradisíaco mesmo, com os fiordes logo adiante.
Permanecemos dois dias em Bergen circulando pelas suas montanhas, conhecendo o comércio, tirando centenas de fotos, visitando museus e não podíamos deixar de ir ao “porto de bacalhau” saborear um autentico caviar e outras iguarias. No terceiro dia rumamos pela trilha dos fiordes em direção a Oslo.O clima ameno, entre 5° e 16 °C+, foi para nós uma surpresa agradável, apesar de estarmos preparados para temperaturas bem mais baixas, como é comum na Escandinávia. Em outros meses (outubro à maio, p/exp.) os termômetros já marcaram menos 16°C (em 1987) e mais 31,80 ° C (1948).
A visão dos fiordes é deslumbrante, paisagem absolutamente exótica para nós dos trópicos, mas ansiosamente esperada, uma vez que a Escandinávia sempre pautou o nosso consciente e subconsciente, nos fazendo sentir um autêntico Marco Pólo do século XXI.
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