ENSAIO XV – Afinal, Paris
Parte 1.
A chegada a Paris foi repleta de ansiedade, apesar de estar retornando à cidade luz pela 3ª ou 4ª vez. Ora me sentia a vontade como se estivesse desembarcando numa cidade brasileira, ora sentia um “friozão” na barriga como se fora essa a primeira viagem “às estranjas”.
Paris é assim, cosmopolita, empolgante, majestosa, acolhedora, provocante e assustadora. Se você põe os pés na rua ou no metrô invariavelmente vai ouvir sotaques os mais diversos possíveis, com certeza de todas as Nações e, com muita freqüência, de brasileiros. Se no Quatier Latin, com certeza, vai encontrar alguns artistas e intelectuais brasileiros, muitos são freqüentadores assíduos dos seus cafés e bibliotecas, outros transitam pelas suas ruas e avenidas visitando lojas e galerias de arte. É um bairro cultural por excelência.
Cheguei a Paris em período festivo, em pleno ano do Brasil na França, e de alta temporada turística, aliás, em Paris, praticamente não há baixa temporada, como dizemos por aqui, em Paris não há tempo ruim... Paris estava decorada com bandeiras e cores do Brasil e muitos eventos culturais com artistas brasileiros constavam da programação anual da cidade. “La Tour Eiffel”, o mais expressivo e conhecido cartão postal de Paris, à noite, brindando a todos os parisienses e visitantes com uma iluminação feérica, numa magnífica expressão da “Aquarela do Brasil”, complementada com os sons e ritmos de sambas, pagodes e axés, vindos de todas as direções.
Paris é a cidade das múltiplas denominações. O Iluminismo a transformou na Cidade luz, também chamada de cidade da moda, cidade da gastronomia, cidade do turismo e do lazer, cidade da cultura, cidade das artes, cidade política e um dos mais importantes centros econômicos e financeiros do mundo. É a cidade que mais recebe turistas estrangeiros, mais de 40.000.000 por ano, enquanto o Brasil recebe cerca de 5.000.000.
A história de Paris remonta a 4.000 anos a.C., com a primeira povoação de cultura chasseana, localizada à margem esquerda do Sena, onde hoje se situa o 12° arrondissemant (distrito) de Paris. Essa extraordinária comunidade sobreviveu a inúmeras guerras, revoluções e levantes ao longo da sua história, desde a chegada das tropas de César no ano 52 a.C., que a nomearam de Lutetia . Os Parisii ainda esboçaram reação aos invasores romanos, sem sucesso. O acampamento gaulês, para alguns historiadores ficava na Île de la Cite, para outros na Île Saint-Louis.
Paris já foi sede de duas olimpíadas, de duas copas do mundo de futebol e de duas exposições universais, afora centenas de eventos de expressões continental e universal, de todas as naturezas as quais contribuíram para as grandes mudanças na sua estrutura urbana.
A partir da segunda metade do século XIX, com a instituição do Segundo Império, já tendo superado as eras Luizianas (Reis Luiz, foram 16, de Maria Antonieta, aquela que na falta de pão recomendou ao povo que comesse brioches e de Napoleão Bonaparte, o guerreiro que queria dominar a Europa e foi o responsável pela fuga de D.João VI para o Brasil), Paris sofre radical transformação na sua estrutura urbana passando de cidade tipicamente medieval de construções antigas e insalubres para uma cidade moderna, saneada e bem estruturada urbanisticamente. O Imperador Napoleão III que ansiava com uma Paris moderna, delegou essa missão ao Arquiteto Haussmann que durante 20 anos dedicou todo o seu tempo a planejar e estruturar uma nova Paris, com canais de saneamento, um traçado moderno com ruas e avenidas largas e convergentes como teias de aranha, novas pontes, prédios públicos, praças e monumentos majestosos. Ampliou o perímetro urbano de Paris, até então de 3.438 hectares para 7.802 hectares.
Dada essa expansão, as indústrias migraram para o interior, criando facilidades para o crescimento equilibrado da cidade. La Tour Eiffel, concebida e construída pelo gênio da Engenharia Gustave Eiffel para a Exposição universal de 1889, em comemoração ao centenário da Revolução francesa, prevista para ser demolida em 20 anos, permanece até hoje, consagrada como o principal cartão postal da França. Durante a Exposição de 1889, Paris recebeu cerca de 28 milhões de visitantes. Na Exposição de 1900 foram inauguradas as primeiras linhas de metrô e Paris recebeu 52 milhões de visitantes.
Nas primeiras décadas do século XX, na chamada Belle Èpoque, Paris passa por uma extraordinária expansão econômica e já é considerada a Capital econômica e cultural da Europa.
Paris, com seus 12 milhões de habitantes continua como uma das maiores e mais importantes metrópoles do planeta. Sempre me excita e me emociona visitar Paris. A Champs-Elysées é deslumbrante, com sua iluminação, com a sua amplitude e majestade, é de tirar o fôlego do caipira, deixando-o quase basbaque, meio abestado, como se diz no Ceará, até que acostume.
Paris também lembra o Moulin Rouge com suas maravilhosas garotas de l,70 de altura, de várias nacionalidades, inclusive brasileiras, com suas roupas coloridas, ou quase sem roupas, dançando o Can Can. Essa dança, que estreou em Londres em 1.822 e fez a alegria dos “cowboys americanos” nos filmes de “bang bang”, continua em cartaz até hoje.
Do metrô seguimos para o n° 8-10 da Montparnasse, onde curtimos uma rapidíssima, porém incrível, temporada de pouco mais de uma semana. Da janela do nosso apartamento avistávamos a direita a Torre de Montparnasse e a esquerda, a uns poucos quarteirões, a majestática torre Eiffel.
Dessa forma, iniciamos o nosso giro de verdade, pelas ruas de Paris, essa que não é o Rio de Janeiro, mas é também uma cidade maravilhosa, desde 1991, Patrimônio Cultural da Humanidade.
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