Santana do Ipanema - segunda, 06 de fevereiro de 2012
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05/09/2011
 
A NOSSA HISTÓRIA NÃO É UMA MÁQUINA DE CALCULAR Lúcia Nobre


A nossa história não é uma máquina de calcular. Ela se desdobra no espírito e na imaginação, e adquire corpo nas múltiplas respostas da cultura de um povo (Wayne C. Booth et alii.).

Fazemos e vivemos nossa história. Desde os nossos antepassados construímos o que há de ser nosso viver. Não somos uma máquina de calcular. Não acredito em pessoas e atos radicais. Claro que somos marcados pelas heranças e tradições, mas somos livres para moldurar e modelar nossas ações. Somos inteligentes para dar corpo a nossa imaginação e perceber o que pretendemos de nós mesmos, procurando as respostas em nossa cultura.
Percebemos a cultura do nosso povo e a ela acrescentamos a que vivemos em nossa atualidade. Com a entrada do modernismo houve quem opinasse destruir todo passado. Extinguir um mundo que já existia? Excluir os antepassados? Esquecer nossas raízes? Desejavam queimar bibliotecas e museus, abandonar o velho, só o novo seria interessante. Houve algumas perdas, tudo em nome do moderno, do novo. Com certeza não seria essa a proposta. Estaríamos destruindo toda nossa tradição. Seríamos um povo aculturado, sem história. Descendentes de quem? Aprendemos o que?
Contudo, não precisamos imitar o passado, seguir suas tradições, copiar o que vimos, o que ouvimos ou o que lemos. Se o homem deve ultrapassar limites impostos, procurar meios de sobrevivências de acordo com a evolução dos acontecimentos, que procure adaptar-se. Em se tratando de literatura, ficou acertado que a literatura não teria de seguir modelos literários do passado, porque está preocupada em criar novas formas para gerações futuras, pois, do contrário, apenas seguindo modelos antigos, estaria imitando. Octavio Paz, no livro Os filhos do barro “a questão da tradição da ruptura”, diz que na literatura como em outras artes, deve haver uma relação entre o passado, presente e futuro, que a tradição deve ser suporte para alicerçar o presente e preparar o futuro.
Os poetas contemporâneos aclamam a natureza e se preocupam com sua integridade. É um objetivo do modernismo não abandonar os valores de uma época, e sim, construir o presente sem jogar fora o passado. Fez assim, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, representantes da vanguarda modernista dos anos de 1920. Mais ainda, fez Carlos Drummond de Andrade, viveu as duas épocas. É poeta do romantismo e do modernismo e como não dizer da contemporaneidade. Seus versos são atuais, como os são os da Bíblia e os dos antigos pensadores. Remi Bastos, poeta alagoano de Santana do Ipanema das Alagoas, faz mais ainda em nossa contemporaneidade. Poetiza a natureza de sua cidade natal, dando asas a sua imaginação. Para o poeta, a natureza será sempre preservada. “As canoas costuram o Ipanema numa viagem recheada de suspense” E nada mais gratificante para o santanense que cantar o Hino Oficial de Santana do Ipanema do poeta referido:

Santana do Ipanema
Torrão querido pedacinho do meu Brasil
És a rainha do sertão alagoano
Desta Pátria mãe gentil

Tua história enaltece nossa gente
Com bravura e amor febril
Padre Francisco Correia e Martinho Vieira Rego
Pioneiros nesta terra varonil
Tua bandeira simboliza nossas cores
As tuas praças, este rio, nossos amores
O teu progresso eternamente a florescer
Sou sertanejo, santanense até morrer!

Minha terra tem palmeiras
Nossos campos têm mais flores
Onde canta o sabiá

Nosso céu tem mais estrelas
Onde nuvens passageiras
Dão espaço ao luar

O teu passado de glória
Está vivo em nossa memória
Teus filhos hão de aprender

É mais forte o meu desejo de dizer
Sou sertanejo, santanense até morrer!

Eis a relação do romantismo e do modernismo: no romantismo, Gonçalves Dias exalta a natureza; no modernismo, Oswald, alerta para Palmares e os escravos.

Na canção do exílio de Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras/onde canta o sabiá
As aves que aqui gorjeiam/não gorjeiam como lá
No canto de regresso à Pátria de Oswald de Andrade
Minha terra tem Palmares/ onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui/ não cantam como os de lá





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