Santana do Ipanema - quarta, 10 de março de 2010
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10/03/2010
MARIA DO BODE
 
O pseudônimo da personagem título. É uma referência, por nossa protagonista morar, justamente nas proximidades do lago artificial, construído pelo DNOCS na década de 60, aqui em Santana do Ipanema, conhecido de todos por Riacho do Bode. Vamos abrir aqui um parêntese, pra lembrar, uma outra figura singular, chamada de Maria Bode. Esta, foi uma famosa cafetã que montou um prostíbulo, quase na fronteira de Alagoas com a Bahia, antes da cidade de Paulo Afonso. O bordel virou uma espécie de entreposto de quenga. Aonde os viajantes e caminhoneiros paravam, quando vinham pra bandas de Alagoas. Ali ficavam, pra descansar, alimentar-se,tomar um banho e namorar as meninas.
Deixemos pra lá a pensão de Maria Bode e falemos de Maria do Bode. Esta senhora, em nada tem haver com a mulher do comércio com prostitutas. Maria do Bode foi casada, e bem casada. Constituiu grande família. Teve com seu único esposo, uns dez filhos. Os filhos foram crescendo. E foram, cada um, cuidando de suas vidas, casando e saindo de casa. De forma que não demorou muito, ficou na casa, só o casal, Maria do Bode e o velho esposo. Ele, dera pra beber cachaça. Tornou-se alcoólatra. E todo mundo sabe no que isso dá. O velho morreu. Maria do Bode continuou, enfrentando o batente sozinha. Era trabalho pesado, de homem. Serviço de roça, Cortar lenha, criação de porcos, galinhas, uma vaquinha de leite, um cavalo. Ela montava, fazia tudo.
Certa feita, apareceu por ali um rapaz, em estado de mendicância. Pediu esmola. Maria do Bode deu-lhe o que comer. Depois que descansou um pouco, o mancebo, já preparava-se pra partir, quando ela perguntou-lhe, se não queria ficar pra janta. Já era tarde poderia arranjar-lhe onde dormir, se quisesse. Ele aceitou. E ajudou-a nas tarefas da tarde. Dava pra perceber que a matrona interessou-se pelo gajo. Achava ela que ainda dava pro gasto, o velho batera as botas, não via mal nenhum naquilo. À noite, o rapaz banhou-se a pedido dela. Deu-lhe uma roupa nova. Jantaram. Só havia um quarto desocupado. Seus planos estavam dando certo. Vão os dois, dormir na única cama disponível. Maria do Bode caprichou, botou um perfume, uma camisola nova. Vai e se deita. O rapaz se chega meio tímido e ocupa seu lado da cama. Se benze e se deita. Ela meio que no desespero, ataca-lhe com a pergunta:
-Não está esquecendo nada?
-Bença mãe!

*Fabio Campos 10/03/2010 *É professor Municipal e Estadual em Santana do Ipanema-AL
Contato: fabiosoacam@yahoo.com


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