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31/08/2008
O PETROLEIRO E SUAS MEMÓRIAS
 
Mais que contar sua vida em empolgantes capítulos, boa parte do livro de memórias de Yvan Barretto de Carvalho é dedicada à pesquisa e à exploração de petróleo no Brasil. Em contundentes depoimentos sobre fatos vividos em sua vitoriosa carreira de petroleiro, o autor leva o leitor a refletir sobre os primórdios da patriótica e histórica luta que legou ao Brasil a auto-suficiência dessa importante fonte de energia que move o mundo. Com seu livro, acaba escrevendo a história do petróleo no Brasil.
Filho de modesto servidor dos Correios, saiu ele de lá das margens do rio São Francisco (de Barreiras, depois, de Juazeiro), para chegar a Salvador, e ali ingressar, com imenso sacrifício, no curso de engenharia da Escola Politécnica da Bahia. Mas, para chegar a Salvador, teve que antes passar por São Luís do Maranhão, para onde fora transferido seu pai, vítima de perseguição política. Aconteceu que, em Juazeiro, na Revolução de 30, o zeloso funcionário cobrara o importe das transmissões telegráficas que um dos revoltosos fizera sem o devido pagamento. Daí, a inversão de valores, a honestidade punida.
Lendo o livro Petróleo: Uma Vida, Um Destino, conhece-se a brilhante carreira de um homem obstinado pelo trabalho, pela profissão e extremamente dedicado a sua empresa. O menino travesso de ontem torna-se exemplar e diligente petroleiro. Estudioso, especializa-se no exterior em perfuração de poços em terra e no mar. De operário, operador de sonda, engenheiro especialista em petróleo, depois superintendente de região, chega, finalmente, ao cargo de Diretor da Petrobras, com várias missões oficiais fora do Brasil.
A história do petróleo no Brasil começou em 1858, em Lobato, Bahia, onde o inglês Allport “constatara gotejamento de petróleo”. Somente em 1920 se iniciaram as pesquisas. Em 1930, habitantes da região retiravam de cacimbas lama preta oleosa para iluminação de suas casas. Finalmente, em 1939, em poço pioneiro, descobre-se petróleo em Lobato.
A luta pelo petróleo nasceu em Alagoas, a partir do poço de Riacho Doce, perfurado em 1924. Somente em 1930 o governo se mostraria interessado pelo empreendimento. O engenheiro Édson de Carvalho encarregou-se dos trabalhos, cabendo a Dr. Romero, técnico mexicano contratado, divulgar a descoberta de reservas em Alagoas, fato estranhamente negado pelo Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil (criado em 1917). Em 1938 foi criado o Conselho Nacional de Petróleo (CNP). O clima de agitação toma conta do país em 1940, com a denúncia de Monteiro Lobato – punido com prisão – de que o CNP estaria pretendendo que o petróleo fosse explorado por companhias estrangeiras.
Finalmente, a Lei 2004, de 3/10/53, sancionada pelo Presidente Getúlio Vargas, estabelecia o monopólio estatal do petróleo e criava a Petrobras.
Hoje o Brasil é auto-suficiente em petróleo, e a Bacia de Campos é responsável por mais de 80% da produção nacional. A esse respeito, arremata o autor: “A ida para o mar constituiu-se no fato mais espetacular, até hoje, para a Petrobras.” Nem se falava das reservas da camada pré-sal.
O episódio da transferência da sede regional da Petrobras de Maceió para Aracaju, em 1969, foi para o autor a mais difícil missão a ele confiada como Diretor da Petrobras. De um lado, o imperativo técnico, de outro, o interesse político. Alagoas perdeu a contenda.
Afinal, laureado, condecorado, Yvan Barretto de Carvalho chega aos 88 anos de idade. Sua mais significativa homenagem terá sido o navio petroleiro, com bandeira do Brasil, batizado com seu nome, que singra mares e oceanos, transportando nosso ouro negro.
Maceió, julho de 2008.


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