Quinzenalmente, a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), regional de Alagoas, reúne cuidadores de pessoas portadoras dessa doença, para orientação sobre o acompanhamento dos pacientes e para troca de experiências vividas no cotidiano. Geriatras e psicólogos, também presentes, ajudam a todos a entender melhor o mal e, daí, a amenizar o sofrimento de cada um desses abnegados cuidadores.
É comum chamar de Mal de Alzheimer a demência da velhice da atualidade, doença terrível que gradativa e progressivamente destrói a memória de mais de vinte e cinco milhões de portadores do problema no mundo. Calcula-se que no Brasil haja cerca de um milhão de pessoas com Alzheimer. Em Alagoas, estima-se em vinte mil.
Em 1906, a doença foi descoberta ou descrita pela primeira vez pelo neurologista alemão, Alois Alzheimer (1864-1915).
Dolorosa doença que acomete as pessoas – certamente as mais queridas – sem escolher idade, cor, raça, sexo e classe social. Incide sobre 8% da população idosa.
Disse o escritor Rick Steindorfer: “A nossa mente é o nosso santuário, o nosso relicário mais profundo. É nela que estão todas as nossas informações, todos os nossos paradigmas, todos os nossos sonhos.” Imagine a angústia e o sofrimento de quem sente que está a perder, irremediavelmente, toda essa beleza da vida, toda essa riqueza da razão.
Quis o traiçoeiro destino que eu procurasse conhecer esse mal terrível, causador de tanta dor, emoção, angústia, sofrimento. Além disso e da enorme carga de trabalho, requer do cuidador e da família muita paciência, paciência, paciência – e ponha paciência nisso! É extremamente doloroso cuidar de um paciente especial, a exemplo da própria esposa, a companheira de longa jornada de vida a dois.
Muito relutei em escrever esta crônica. Protelei quanto pude alinhar as primeiras palavras, arrumar as idéias, sempre refletindo se valeria a pena escrever sobre tema tão delicado. Concluí, afinal, que com estas considerações poderia ser útil a alguém que estivesse a identificar ou diagnosticar a doença em pessoa da família, na pessoa amada, no pai, na mãe, no ente querido.
E os sintomas da doença? No começo, pequenos ou discretos esquecimentos, normalmente aceitos como problemas de pessoas que vão envelhecendo. Depois, confusão de datas, de tempo, de espaço, de nomes de pessoas amigas, desinteresse por tarefas domésticas e habituais, apatias, diminuição de concentração, depressão, agressividade.
Pelo que se lê a respeito, ainda não existe droga no mercado para a cura de Alzheimer, salvo para amenizar o sofrimento do doente, desacelerar as perdas cognitivas e retardar a evolução do mal. De concreto, o que há mesmo é a intensificação de pesquisa científica que, incessantemente, busca a tão sonhada cura, infelizmente até agora sem resultados alvissareiros. Quanto à prevenção, a neurociência recomenda mudança de rotinas que estimule o outro lado do cérebro, fazendo coisas adicionais, diferentes.
Em recente e extenso artigo publicado, disse Dr. João Roberto D. Azevedo, médico especialista: “A terapêutica molecular, que irá atuar sobre os genes alterados, parece ser o futuro do tratamento da doença de Alzheimer.”
Afinal, sempre haverá luz no final do túnel.
Maceió, julho de 2008.
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