Santana do Ipanema - sexta, 18 de maio de 2012
  Informação
Assistência Social
Cultura
Curiosidades
Economia
Educação
Entrevistas
Esportes
Geral
Moda & Beleza
Opinião
Polícia
Política
Religião
Saúde
Sexualidade
Turismo
Vídeos
  Especiais
Canal do Sertão
Especiais de Domingo
Campeonato Alagoano 2011
Eleições 2010
  Serviço
Assinantes (Exclusivo)
Balcão de Oportunidades
Classificados (Novo)
Documentários
Eventos
Galeria de Fotos
Guia de Negócios
Literatura
Shows e Festas
  Interativo
Fale Conosco
Mural de Recados
Rádio Portal Maltanet
Webmail
Djalma Carvalho
Conheça o colunista Fale com o colunista
 

31/07/2008
A VITÓRIA DO JEGUE
 
O registro de fato novo me faz reproduzir boa parte do texto original desta crônica.
Desde o longínquo ano de 1535, quando aportou no Nordeste, trazido de Portugal ou da África, o jegue jamais tinha sido tão exaltado publicamente, a ponto de se tornar samba de enredo de escola de samba na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.
Milhares de vozes em delírio entoaram o refrão do samba “Mais vale o jegue que me carregue, que o camelo que me derrube, lá no Ceará”, da Imperatriz Leopoldinense, campeã do carnaval de 1995.
Foram buscá-lo na história do segundo reinado brasileiro.
Domesticado há uns 6.000 anos, o jerico estendeu-se pelo mundo e melhor adaptou-se às regiões quentes, como o semi-árido nordestino, onde pacientemente “ajuda o sertanejo a tocar o seu dia-a-dia”, segundo a letra da música.
Em seu livro O Jumento, Meu Irmão, Padre Antônio Vieira, ex-deputado federal pelo Ceará, disse que a presença histórica do jegue no destino da humanidade é algo que se confunde com a realidade do veículo-animal de todos os tempos.
Na verdade, antes das estradas de rodagem, do asfalto e do advento do caminhão-pipa, era o pobre jumento que fazia o abastecimento d’água. No lombo carregava ancoretas ou latas para aplacar a sede do nordestino no período das grandes estiagens.
Lá estava também ele nas estradas poeirentas, sob sol ardente e fustigado por chicotes, carregando trapos ou mobílias humildes, puxado por retirantes fugindo da seca implacável, como os Fabianos da vida.
Dócil e resistente, cantado e decantado na literatura regional ou nas músicas de Luiz Gonzaga, ninguém imaginava fosse ele exaltado na passarela do samba em meio a mulheres bonitas e de poucas roupas, ao ronco de cuícas e ao percutir de tamborins.
Tinha razão o falecido prefeito Adeildo Nepomuceno Marques, que fez erguer, em 1972, um monumento ao jegue em uma das principais avenidas de Santana do Ipanema, pelos serviços que o paciente animal havia prestado à população da cidade.
Há pouco tempo, para efeito de asfaltamento, o novo traçado da BR 316 eliminou a Praça das Coordenadas construída à entrada da cidade pelo prefeito Hélio Cabral (1956-1960). Com isso, a estátua do jumento teve que ser removida de lá para o início dos canteiros da mesma rodovia, em frente ao prédio da AABB local.
Afinal, a praça foi extinta, mas a estátua, não. Daí a dupla vitória do jegue: no carnaval do Rio de Janeiro e ao ressurgir em outro local, reafirmando sua condição de símbolo da pertinaz luta que o santanense enfrentou contra a falta d’água.

Maceió, julho de 2008.





Últimas publicações
- AS GARÇAS DO BITURI
- A FRUSTRAÇÃO DE MARCOS CABROBA
- ODONTOLOGIA EM ALAGOAS E SUAS HISTÓRIAS
Colunistas
Antonio Machado
JURANDI, UM POETA ESCREVENDO SOBRE OUTRO POETA, EFIGÊNIO MOURA
Archimedes Marques
O médico e o gangaceiro?
Augusto Ferreira
Solidariedade começa com pequenos gestos
Carlindo de Lira
INTERIORIZAÇÃO versus METROPOLIZAÇÃO
Carlito Lima
SOCORRINHO
Cicero de Souza Sobrinho (Prof. Juca)
istudá? Primêra parti
Clerisvaldo B. Chagas
IPANEMA UM RIO MACHO
Djalma Carvalho
AS GARÇAS DO BITURI
Fábio Campos
MACACOS ME MORDAM!
João do Mato
Pesquisa sobre o sorgo em Santana do Ipanema
José Antônio (Toninho)
Cirurgiões-dentistas ganham autorização para solicitar exames complementares
José Avelar Alécio
José Malta Neto
VIOLA MINHA VIOLA
José Vaneir Soares Vieira
MUDA-SE O NOME, MAS O SALÁRIO É O MESMO
Luciene Amaral da Silva
QUANTA EMOÇÃO!
Manoel Augusto
Maria Lúcia Nobre dos Santos
Paiva Netto
Mães, Lei Áurea e saúde
Rogivaldo Chagas
JUVENTUDE E EMPREGO
Sibele Arroxellas
Lembranças....

Últimas Atualizações
MUDA-SE O NOME, MAS O SALÁRIO É O MESMO
MACACOS ME MORDAM!
Mães, Lei Áurea e saúde
 
© 2001/2012 - Portal Maltanet - Todos os direitos reservados