Nunca tinha visto tanta gente reunida na praça do ginásio, em Santana do Ipanema. Não era comício eleitoral, nem era festa da padroeira. Quando me refiro a tanta gente, refiro-me aos filhos da cidade que residem fora e que naquela noite retornavam ao torrão natal para participar de uma festa especial. Em noite que ameaçava chover, inaugurava-se a Praça Dr. Adelson Isaac de Miranda (1930-1995).
Banda de música, banda de pífano e muita gente. Justa homenagem e justo reconhecimento da cidade ao trabalho prestado à sociedade e à mocidade santanense por esse ilustre e querido cidadão, falecido em 1995, que escolhera Santana do Ipanema para fixar residência e para exercer a profissional de dentista. Depois, tornou-se educador, líder comunitário e proprietário rural.
Aquele que foi verdadeiro líder consegue, a qualquer tempo, reunir expressivo número de amigos e admiradores para reverenciar sua memória e exaltar os feitos e as obras que deixou na comunidade onde viveu, exerceu efetiva liderença, fez amigos e constituiu exemplar e honrada família. Dr. Adelson foi, indiscutivelmente, um deles.
Em 1974, em sessão solene, a Câmara de Vereadores concedia-lhe o título de cidadão honorário de Santana do Ipanema. Agora, por iniciativa da prefeita Renilde Bulhões, recebe ele o tributo póstumo: a inauguração da praça com seu nome. A alegre expressão do busto parece revelar o contentamento com a homenagem recebida e relembrar seu descontraído jeito de tratar o povo santanense. Em placa no pedestal ficaram gravadas suas palavras: “Jamais duvidei de que os amigos existem.”
Dr. Adelson tinha vocação para ser líder. Despojado de vaidades, comunicativo e brincalhão, exerceu liderança por onde andou. Nascido em Bom Conselho, Pernambuco, estudou em Garanhuns e em Recife, onde concluiu, respectivamente, os cursos de ginásio e clássico. Formou-se em Odontologia em Juiz de Fora, Minas Gerais. Foi presidente do diretório acadêmico da faculdade, orador oficial de sua turma concluinte e fundador e redator do jornal Elixir e Porcelana do referido diretório acadêmico. Várias vezes exerceu a presidência do Rotary Clube e da Casa São Vicente de Paula (abrigo de velhinhos). Foi diretor do Tênis Clube Santanense, do Ginásio Santana e do Colégio Comercial Santo Tomás de Aquino. Era membro ativo da Loja Maçônica Amor à Verdade. Todas essas entidades estão situadas em Santana do Ipanema. Como membro do Rotary Clube, foi o idealizador da Festa do Feijão, evento, à época, de grande repercussão social e econômica no Brasil afora.
Logo após a solenidade de inauguração da praça, seu livro Minha História de Amor e Saudades foi lançado por seus familiares no Tênis Clube Santanense, com expressivo comparecimento de familiares, amigos e convidados. Obra póstuma que reúne escritos deixados pelo autor. No livro há textos pungentes, carregados de muita emoção, que tratam da trágica morte do filho Cheops. O leitor, como aconteceu comigo que privei de sua amizade, deve preparar-se para, durante a leitura, derramar muitas lágrimas. Louve-se, afinal, a competência do Dr. Gulhermino Nonato Cardeal, autor do prefácio, organizador e narrador do livro.
Maceió, junho de 2008.
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