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28/11/2010
O REMÉDIO É CONTAR
 
O estimado colega de trabalho e professor de português, Jason Calheiros Pinto, hoje infelizmente adoentado, costumava utilizar as palavras-chave “motivos supervenientes” em textos institucionais que redigia com desenvoltura e acerto. Não estou bem certo se ele também as utilizava para justificar eventual ausência sua a compromissos sociais, para os quais havia sido convidado. Provavelmente, sim.
Foram estes mesmos motivos que me fizeram não comparecer, em julho passado, em Santana do Ipanema, ao festivo lançamento do livro Saudade, Meu Remédio é Contar, escrito por Luiz Antônio de Farias, meu conterrâneo e também aposentado do Banco do Brasil. Restou-me lamentar profundamente minha ausência à concorrida festa, cujas razões foram plenamente entendidas pelo nosso querido Capiá.
Soube que, em discurso para auditório lotado, o autor citou, gentilmente, o nome deste cronista, dizendo-me incentivador de sua obra literária. Seu livro de estreia, que traz o selo da editora QGráfica, da Ufal, reúne interessantes crônicas, fatos pitorescos e inúmeras fotos que o ajudaram a contar a bonita e feliz história de sua família. Família interiorana, aliás, bem estruturada e calcada no trabalho duro, suado, e nos melhores exemplos de honradez. Tive o privilégio de ler os originais do livro e a satisfação de prefaciá-lo.
No Interior, em tempos passados, forte significado assumia o vocábulo conterrâneo, porque ali todos se conheciam e se consideravam. As famílias, por seu turno, quase sempre se ligavam pelo parentesco e pelo compadresco. Assim, além da forte amizade de contemporâneos que pisavam o mesmo chão, meus pais eram compadres dos pais de Luiz Antônio, amizade que se conserva até hoje pelos filhos de ambos os casais.
Jovem, estudioso, trabalhador, uma vez aprovado no concurso do Banco do Brasil, ele me encontrou na mesma agência a exercer cargo de chefia, agência onde também exerci, mais tarde, os cargos de subgerente e gerente geral. Revelou-se, então, excelente funcionário, assimilando com facilidade os normativos do Banco. Ótimo e leal colega, exemplar pai de família. Orgulhoso de sua empresa de trabalho, Luiz Antônio diz-se, hoje, “doutor” formado pela “universidade” do BB.
O homem nasce talentoso, inteligente, mas não nasce escritor. Padre Sena Freitas, citado por Arnoldo Jambo, dizia: “O escritor faz-se.” Pois bem, aí está Luiz Antônio de Farias com seu livro de crônicas, quase todas elas publicadas no portal Maltanet, jornal virtual de minha cidade, que tem revelado talentosos escritores. Ele próprio revela: “... jamais pensei em passar para o papel algumas divagações que teimavam povoar meu imaginário.”
Li o livro devagar, com calma, saboreando cada crônica. Revivi, assim, o passado com emoção e com forte dose de saudade. Reencontrei-me com boa parte dos personagens do livro, também meus conterrâneos de ontem e de hoje, e dei boas risadas com as histórias engraçadas por ele contadas.
Cabe-me, afinal, parabenizar o colega e amigo pelo seu livro de estreia, em que relembra alegres recortes do cotidiano santanense e procura, de uma forma ou de outra, resgatar parte da história de nossa terra, de nossa gente.
Maceió, novembro de 2010.


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