Santana do Ipanema - sexta, 18 de maio de 2012
  Informação
Assistência Social
Cultura
Curiosidades
Economia
Educação
Entrevistas
Esportes
Geral
Moda & Beleza
Opinião
Polícia
Política
Religião
Saúde
Sexualidade
Turismo
Vídeos
  Especiais
Canal do Sertão
Especiais de Domingo
Campeonato Alagoano 2011
Eleições 2010
  Serviço
Assinantes (Exclusivo)
Balcão de Oportunidades
Classificados (Novo)
Documentários
Eventos
Galeria de Fotos
Guia de Negócios
Literatura
Shows e Festas
  Interativo
Fale Conosco
Mural de Recados
Rádio Portal Maltanet
Webmail
Djalma Carvalho
Conheça o colunista Fale com o colunista
 

28/10/2007
ESMOLA NÃO DÁ FUTURO
 
Está em curso e já alcança absoluto sucesso em Uberlância, Minas Gerais, a campanha contra a mendicância nas ruas, intitulada “Quem dá esmola não dá futuro”, lançada pelo Ministério Público e que conta com o integral apoio da sociedade organizada daquela próspera cidade.
O Jornal Nacional da TV Globo, de 27/08/2007, dedicou amplo e significativo espaço à notícia da meritória, oportuna e aplaudida campanha de cunho eminentemente social.
Retirados das ruas, praças e semáforos, os pedintes estão sendo cadastrados para a devida reinclusão social. Assim estabelece a campanha: “Quem prova que não tem para onde ir é levado para abrigo público, onde fica até conseguir emprego, ou volta para a cidade de origem.” Os mendigos profissionais, por seu turno, estão sendo levados para a delegacia de polícia especializada e viram alvo de processo judicial.
Lembro-me, agora, dos circos que visitavam Santana do Ipanema, cujos espetáculos levavam alegria, música, cultura e divertimento à população da cidade, especialmente à indócil meninada de minha época. Na primeira parte, dava-se a atividade circense propriamente dita; na segunda, o teatro, quase sempre produzido com todas as dificuldades de uma modesta companhia mambembe, não obstante o talento e a versatilidade de seus atores.
Lamenta-se, hoje, que tudo isso tenha sido substituído pelo milagre da televisão.
Para criticar, em estilo irônico e mordaz, os costumes e a sociedade de sua época, o genial teatrólogo Joracy Camargo escreveu, em 1932, Deus lhe Pague, peça que alcançou grande sucesso no Brasil e no exterior e que consagrou o ator Procópio Ferreira. Iniciava-se o teatro social no Brasil. No interior afora, a partir daí e por onde passou, o circo levou em seu repertório, obrigatoriamente, Deus lhe Pague, então sucesso de bilheteria.
À porta de uma igreja, dois mendigos, enquanto pediam, filosofavam: “Não há generosidade na esmola: há interesse. Os pecadores dão esmola para aliviar seus pecados; os sofredores, para merecer as graças de Deus.” O mendigo rico afirmava a Barata, o mendigo pobre, que a expressão “uma esmola pelo amor de Deus” era passadismo. E, incisivo, arrematava: “Fale de fome. Fome é mais impressionante.”
Há uns dez anos, um garoto, já com aproximadamente essa idade, começou a pedir moedas a todos que paravam no primeiro semáforo da esquina de minha rua. Pedia, batendo a palma da mão no próprio estômago, quase chorando: “Estou com muita fome, moço!”
Hoje, já adulto, usa ele o mesmo método de antes nos sinais de trânsito de Maceió. E continua a benzer-se a cada moeda recebida do piedoso e compadecido motorista. Viciado na arte de mendigar, tornou-se pedinte profissional.
Alguém lhe teria passado a infalível orientação do mendigo-filósofo? Claro que não. Na verdade, tinha razão o falecido Luís Gonzaga, que cantava ao som de sua sanfona: “Uma esmola ao homem que é são, ou o mata de vergonha ou vicia o cidadão.”
Belo exemplo dá ao Brasil a sociedade de Uberlândia, no próspero e politizado Triângulo Mineiro. Afinal, Alagoas até poderia imitar o exemplo de Minas Gerais.

Maceió, setembro de 2007.


Últimas publicações
- AS GARÇAS DO BITURI
- A FRUSTRAÇÃO DE MARCOS CABROBA
- ODONTOLOGIA EM ALAGOAS E SUAS HISTÓRIAS
Colunistas
Antonio Machado
JURANDI, UM POETA ESCREVENDO SOBRE OUTRO POETA, EFIGÊNIO MOURA
Archimedes Marques
O médico e o gangaceiro?
Augusto Ferreira
Solidariedade começa com pequenos gestos
Carlindo de Lira
INTERIORIZAÇÃO versus METROPOLIZAÇÃO
Carlito Lima
SOCORRINHO
Cicero de Souza Sobrinho (Prof. Juca)
istudá? Primêra parti
Clerisvaldo B. Chagas
IPANEMA UM RIO MACHO
Djalma Carvalho
AS GARÇAS DO BITURI
Fábio Campos
MACACOS ME MORDAM!
João do Mato
Pesquisa sobre o sorgo em Santana do Ipanema
José Antônio (Toninho)
Cirurgiões-dentistas ganham autorização para solicitar exames complementares
José Avelar Alécio
José Malta Neto
VIOLA MINHA VIOLA
José Vaneir Soares Vieira
MUDA-SE O NOME, MAS O SALÁRIO É O MESMO
Luciene Amaral da Silva
QUANTA EMOÇÃO!
Manoel Augusto
Maria Lúcia Nobre dos Santos
Paiva Netto
Mães, Lei Áurea e saúde
Rogivaldo Chagas
JUVENTUDE E EMPREGO
Sibele Arroxellas
Lembranças....

Últimas Atualizações
MUDA-SE O NOME, MAS O SALÁRIO É O MESMO
MACACOS ME MORDAM!
Mães, Lei Áurea e saúde
 
© 2001/2012 - Portal Maltanet - Todos os direitos reservados