Acabo de ler À Sombra da Quixabeira – Casos e Loas, livro recentemente publicado pelo portal Maltanet, que reúne contos, crônicas, poesias e histórias engraçadas de autoria de nada menos que 30 escritores de Santana do Ipanema. Trata-se da terceira coletânea publicada, com igual padrão de qualidade, com matérias anualmente pinçadas da coluna Literatura desse moderno e apreciado jornal virtual.
Não me canso de elogiar o trabalho de José Fontes Malta Neto, o querido amigo Malta. Seu portal, além de notícias de Alagoas, do Brasil e do mundo, também divulga cultura, educação, coisas e gente da cidade. Parabenizá-lo ou abraçá-lo é o mínimo que se pode dispensar a esse jovem e vitorioso empreendedor santanense.
Há mais de 50 anos também divulgo, em crônicas, minha cidade, seu dia a dia, seu cotidiano, sua cultura, sua gente, sua história. Em todas elas procurei fazê-lo pelo viés do bom humor, do engraçado, do pitoresco. Cheguei a sete livros publicados. Outro mais está bem encaminhado. Nessa salutar competição, faço questão de perder a corrida para o portal Maltanet, que cada vez mais descobre talentos e incentiva a mocidade santanense a estudar, ler, escrever, frequentar a biblioteca, preparando-se, afinal, para encontrar um lugar melhor ao sol, buscando o curso superior ou conseguindo aprovação em concurso público.
Aprecio as histórias engraçadas contadas pelos escritores nativos, quase todas elas bem elaboradas, de textos de certa forma enxutos, capazes de provocar no leitor uma boa gargalhada. Ler o livro é também reviver emoções em meio a tantas e boas relembranças.
Embora a história a seguir me tenha sido contada pelo próprio personagem, também aposentado do Banco do Brasil como o cronista, não sei se alguem já a teria posto em letras de forma no portal Maltanet, lugar assaz apropriado para essas coisas fora de série. Se tal ocorreu, permita-me pedir as devidas desculpas ao autor.
O fato aconteceu, de verdade, lá para a segunda metade da década de 1960, logo após a chegada do colega a Santana do Ipanema. Procedente de Maceió, Marcos Cintra levou consigo, além da maleta de Eucatex, a fama de bom zagueiro de futebol.
Como zagueiro, logo foi convidado para atuar em jogo amistoso pelo Ipanema, time da cidade. Antes da partida, porém, nosso colega e os demais jogadores foram chamados pelo técnico para tomar um pequeno comprimido, a título de simples calmante, servido com um gole de bebida que a eles parecia coca-cola.
Antes de continuar a conversa, uma ligeira referência ao condenável doping, que mestre Aurélio assim o define: “Aplicação ilegal de estimulante em competidor para lhe aumentar o rendimento.” Lamentável que, utilizando-se ilegalmente desse estimulante, alguns atletas tentam superar seus próprios limites.
Em meu colega de trabalho, para seu desespero, o comprimido, tido como calmante, produziu efeito devastador. Correu todo o primeiro tempo do jogo sem o menor cansaço e sem parar um instante sequer. Inquieto, pulava no mesmo lugar, parecendo pedalar intensamente sua bicicleta. Assim permaneceu durante o intervalo. O coração batia fortemente, o corpo tremia e ele continuava a pedalar.
Naquela tarde esportiva, a infernal inquietação do zagueiro somente acabaria no interior da farmácia de Genival Tenório, após seu Zeca Ricardo lhe aplicar, pacientemente, uma milagrosa injeção intravenosa. Afinal, são e salvo, Marcos Cintra prometeu a si mesmo nunca mais passar por igual e desagradável experiência.
Maceió, novembro de 2010.
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