Santana do Ipanema - sexta, 18 de maio de 2012
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18/10/2010
O TANGO E "EL AMOR"
 
Nos cafés e restaurantes de Buenos Aires, o visitante encontrará, especialmente afixado na parede, o retrato de Carlos Gardel. O tango, a maior atração turística da cidade, está impregnado na alma e na vida do portenho. Possivelmente originado da habanera, dança cubana, o tango teria surgido nas últimas décadas do século XIX nos prostíbulos de Buenos Aires e Montevidéu. Era, curiosamente, dançado por dois homens, que viravam o rosto e não se fitavam. Por volta de 1910, então, já se dançava tango em Buenos Aires nos moldes de hoje, homem e mulher.
Em 1917, Carlos Alberto García Moreno ou Carlos Gardel despontava para o sucesso com o tango “Mi Noche Triste”. Não se sabe ao certo o lugar e a data de nascimento do grande astro. Uruguai, Argentina ou França? Perguntado, Carlos Gardel costumava responder: “Nasci em Buenos Aires aos dois anos e meio de idade.” Morreu em desastre aéreo em Medellin, Colômbia, em 1953. A reluzente estátua em frente ao Shopping Abasto, em Buenos Aires, reverencia sua memória.
Considerado pela Unesco patrimônio cultural da humanidade, o tango, como o fado, é de caráter triste, fatalista, mistura de drama, paixão e sensualidade. É moldura maior da vida romântica em Buenos Aires e impulsionador do turismo, que cria emprego e renda e gera, efetivamente, divisas para o país. Diria que o tango está para o argentino, como o samba está para o carioca, como o forró está para o nordestino. À disposição do turista, há, ali, inúmeras e elegantes casas de show de tango – do tango tradicional ao tango estilizado, artisticamente dançado.
Aqui e acolá, em pontos estratégicos da cidade, encontramos músicos com violino e violão, ou outro instrumento qualquer, a exibir suas habilidades artísticas. De forma honesta e criativa recolhem dinheiro, passando o chapéu após cada número apresentado. Igualmente o fazem os dançarinos de tango. Na famosa Rua Florida, por exemplo, enquanto apressava os passos para assistir a uma apresentação do chamado tango de rua, e também para uma foto com os dançarinos, ouvi de um turista brasileiro: “Não suporto mais ouvir a palavra tango!” De fato, em Buenos Aires, há tango dançado para todos os gostos.
Notei que gerentes e proprietários de cafés, confeitarias e restaurantes permitem a entrada de camelôs em seus estabelecimentos. Aproximam-se dos clientes, oferecem e vendem suas mercadorias. Comprei a um camelô africano, negro de pura origem e que falava português, um relógio de importante marca, mas considerado genérico. Duas senhoras do nosso grupo fizeram a mesma coisa. Tudo muito barato, porque um real, hoje, vale dois pesos argentinos.
Finalmente, numa confeitaria em San Telmo, o grisalho simpático e bem trajado poeta Roberto Carlos Cúneo deixou em nossa mesa diversas folhas xerografadas, com poemas de sua autoria. Demos-lhe uma cédula de cinco pesos e dele recolhemos a poesia “El Amor”, cuja primeira estrofe diz: “Es el amor um ángel misterioso/ que apunta y clava sua flecha tan aguda/ mensagero vivaz y prodigioso/ que lleva implícita una verdad desnuda.” E arremata: “Cuando sientas tamañas sensaciones/ com el corazón por elle impresionado/ y henchido de dulces emociones.../ es el amor que ha entrado.”
Maceió, outubro de 2010.


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