Ninguém mais cantou tanto sua cidade natal quanto o fez José Pereira Monteiro, poeta de Santana do Ipanema, meu conterrâneo amigo. Foram quatro livros publicados, e agora surge o quinto, intitulado Velho Monumento, com a temática dos outros: saudades da santa terrinha.
Certa vez disse o poeta Carlos Drummond de Andrade: “Quando vim da minha terra, não vim, perdi-me no espaço, na ilusão de ter saído.”
Zé Monteiro, saudoso, nutre compulsiva paixão pela terra natal, inesgotável fonte de inspiração de sua obra poética.
Bonachão, fala mansa, hospitaleiro, contador de casos, revelou-se poeta já maduro, na outonal fase da vida.
Dele disse muita coisa em minhas crônicas publicadas em jornais e livros. Desde sua fazenda Boi Solto, lá no sertão alagoano, até o sítio Ouro Preto, aqui em Maceió. Naquele bucólico e acolhedor recanto, recebia amigos para a boa conversa, a saborosa buchada, o sarapatel e a esperta bicada com tira-gosto de caju, sob o olhar ingênuo do fiel empregado Dió. Aqui, também costuma receber velhos amigos, conterrâneos e consócios da Academia Maceioense de Letras para lauto almoço e deliciosa sobremesa, sob os cuidados e zelo da esposa Laura. Lá, o caso engraçado contado; cá, o montão de versos recitados.
Dele disse tudo. Não esqueci sua passagem pelo Lions Clube de Santana do Ipanema, como sócio fundador e diretor-animador, a arrancar risadas dos mais sérios convidados e a quebrar o protocolo de festivas e solenes assembléias.
Restava-me dizer que Zé Monteiro acaba de ser premiado em concurso literário promovido pela Associação Alagoana de Imprensa (AAI), com o poema cujo nome dá título a este livro.
O nobre bairro de Santana do Ipanema mereceu o título do livro, como se o menino levado de ontem e o poeta de hoje quisesse redimir-se agora das diabruras ali praticadas. A capela do Monumento – capa do livro –, inaugurada em 1° de janeiro de 1901, foi construída como marco histórico do início do século XX.
Reviver o passado é viver novamente as mesmas emoções. Tudo no livro são recordações de enternecer o coração do leitor, sobretudo do santanense contemporâneo de Zé Monteiro. Recordações de um passado distante, cheio de beleza, ainda muito presente em sua memória.
Ler os poemas e as historinhas do livro é o mesmo que empreender nostálgica viagem ao passado de Santana do Ipanema e conhecer figuras interessantes ou gente simples que o autor resgatou e homenageou em boa hora. Pessoas que, esquecidas no tempo, também contribuíram, de uma forma ou de outra, para que fosse escrita a história do lugar.
Que dizer mais? Que leiam o livro.
Maceió, julho de 2006.
|